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Nova fase da Calvário

Propinas chegaram a 45% do valor dos contratos, revela empresário

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publicado em 04/02/2021 às 12h01
atualizado em 04/02/2021 às 12h43
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O empresário Vladimir Neiva, dono da Grafset (já implicado em outras fases da Operação Calvário) revelou ao promotor de Justiça Octávio Paulo Neto, coordenador do Gaeco, que os percentuais de propina pagos nas negociações com o Governo do Estado, em geral, variavam entre 15% a 30%, dependendo se o material adquirido era produzido pela própria empresa em questão ou por outras representadas por ele.

O diferencial em umas das contratações, entretanto, chamou a atenção dos investigadores. No contrato para a aquisição dos livros pela Secretaria de Educação, citados nos autos da operação, o contrato foi bem maior, 45% dos R$ 4.499.995,50 pagos. O depoimento do empresário detalhou as negociações para repasse de valores a ex-secretários do governo de Ricardo Coutinho, neste caso, com uma intermediação de Ivan Burity.

Os valores de propina repassados a organização criminosa, segundo o Gaeco, condizem com os pagamentos efetuados pelos Estado da Paraíba à Grafset no período de 2012 a 2018.

Ainda de acordo com as investigações, geralmente, a aquisição dos livros rendia propina que poderia atingir 30% e os demais materiais (Laboratórios, kits escolares etc.) poderiam atingir 20%. Contudo, ex-secretários da gestão tinham liberdade para negociar esses valores. “E essa flexibilidade, assomada aos casos nos quais os valores da propina não haviam sido definidos por Livânia Farias, permitiu que Ivan Burity retirasse, em proveito próprio, de Edvaldo Rosas e Gilberto Carneiro, integrantes do que se convencionou chamar de ‘Coletivo Girassol’, parte do montante que arrecadava”, diz o documento elaborado pelo Gaeco.

Nova fase – As 11ª e 12ª fases da Operação Calvário, denominadas de “A Origem” foram deflagradas na manhã desta quinta-feira (4). O trabalho é realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU) em parceria com os Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO) de vários Ministérios Públicos (MPF, MPPB, MPDFT, MPSC e MPSP), o Tribunal de Contas do Estado (TCE/PB), a Receita Estadual e as Polícias Civil (PCPB) e Militar (PMPB). O objetivo é dar continuidade às investigações acerca da contratação fraudulenta de empresas, com recursos federais, para o fornecimento de material didático (livros).

MaisPB

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