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A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é mestre em Desenvolvimento Humano pela UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância. Sempre atuou na gestão do ensino superior em âmbito nacional, passando inclusive pela UNISA em SP e em outras instituições de relevância como consultora.

É janeiro: e o que temos de novo?

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publicado em 06/01/2021 às 06h51
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Pode-se fazer a revisão do ano em três palavras: foi tudo péssimo. E a previsão para o próximo ano em outras três: não esperamos melhoras. Essa é uma crônica de Raquel de Queiroz escrita em 04 de janeiro de 1958. Percebem como é atual?

Muitas pessoas seguramente, se eu tivesse ocultado o ano e a autora (que se foi em 2003), diriam que essa passagem é do ano de 2020 para 2021, inclusive foi escrita em 04 de janeiro, dia que estou redigindo esse texto.

Automaticamente ao ler, me fiz essa pergunta: qual a nossa participação na frase “não esperamos melhoras”?

Qual a nossa responsabilidade e a nossa atuação na condução de um novo ciclo?

Não vou aqui discorrer sobre 2020, nem da complexidade vivida nesse período, nem das expressões: o ano que não valeu, não vou fazer aniversário porque esse ano não conta etc. O ano acabou e agora temos que pensar nesse novo ano e nas novas oportunidades, mesmo nas condições atuais, porque o tempo é implacável e não espera.

Embora estejamos vivendo um período extremamente difícil, é impossível não nos envolvermos pelo sentimento de esperança e renovação na virada do ano, na mágica do primeiro de janeiro. Mesmo sem os abraços calorosos de um “feliz ano novo”, das festas em família, dos grandes shows de réveillon, as emoções seguem seu rumo natural de afetividade e renovação.

No início de um novo ano, muitas promessas são feitas. Algumas exequíveis e que pedem ação imediata do seu propositor, outras tão distantes e fantásticas que apenas deixam quem as faz em uma linha de conforto do impossível, e essas já sabemos que nunca serão cumpridas…

Ano novo e vida nova? Pode ser, mas não necessariamente. O novo é subjetivo, não precisa de métricas. Pode ir desde grandes conquistas a pequenos comportamentos ou interpretações. Novas podem ser as oportunidades e seu comportamento diante delas, ou do compromisso em abraçar as oportunidades não tão novas assim. Ao final, temos que fazer a vida valer a pena, amar intensamente e viver plenamente, sem jamais perder o frio na barriga.

Seja em um ano novo, em um primeiro de janeiro, em uma segunda-feira, ou quem sabe em meados de março, ou em uma quarta-feira qualquer… Sempre é tempo para descobertas, para mudanças positivas, para se ter coragem de abrir o peito e enfrentar novos desafios.

Quebrar padrões, fechar e iniciar novos ciclos, aprender e reaprender. A vida é uma eterna evolução, uma luta diária de ações e escolhas, que nos colocam muitas vezes em situações de vulnerabilidade e incertezas, mas o que seria de nós se não fosse o desafio, o desejo de seguir em frente apesar das adversidades, o dom de se superar sem desistir.

Não gosto de dizer que o futuro é dos corajosos, pois isso pode soar nos tempos de hoje como imprudência, mas sim, a coragem nos impulsiona, nos faz sonhar e nos atirar em busca dos nossos sonhos. A coragem nos move e nos leva adiante. Seguramente, para viver e ser feliz é preciso ter coragem, e muita…

Sigamos sem parcimônia o conselho do “maluco beleza” Raul Seixas, que na sua loucura poética, nos ensinou muitas verdades entre elas uma muito significativa e necessária: tente outra vez…

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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