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Magistrado, colaborador do Diário de Pernambuco, leitor semiótico, vivendo num mundo de discos, livros e livre pensar. E-mail: adhailton@globo.com

Embrião da ladroeira

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publicado em 06/08/2020 às 08h42
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Para que eu não seja acusado de furto da criação alheia, vou logo avisando que o título acima é de uma frase do grande escritor Machado de Assis, que no “Conto alexandrino” do livro “Histórias sem data”, ao se referir ao plágio, disse ser o “embrião da ladroeira”. A história da literatura está repleta de casos dessa prática mesquinha e repulsiva, e os textos técnicos e acadêmicos também não ficam imunes da rapinagem intelectual.

O tema me veio a lume ao lembrar do polêmico jornalista e escritor Fernando Jorge, nascido em Petrópolis no ano de 1928, que dedicou boa parte de sua atividade intelectual a desvendar casos de plágios praticados por escritores famosos, a exemplo do historiador Hélio Silva, autor de vários livros, dentre eles a “História da República Brasileira”, em 24 volumes. Dizem que após essa revelação, o historiador foi viver num mosteiro e morreu como monge beneditino, aos 90 anos. Quem também o acusou de plágio foi o advogado Alberto Venâncio Filho imortal da Academia Brasileira de Letras.

Fernando Jorge, como verdadeiro caçador de plagiários, surpreendeu ao escrever uma obra de 500 páginas apontando diversos plágios praticados em vários livros e artigos escritos por Franz Paulo Trannin Heilborn. Não conhece? Esse é o nome de batismo do famoso jornalista e escritor Paulo Francis (foto)  (1930/1997) Isso mesmo, segundo Jorge, Francis era um descarado plagiário, além de um ridicularizador e crítico do povo nordestino. O livro intitulado “Vida e Obra do Plagiário Paulo Francis – O mergulho da ignorância no poço da Estupidez” (Geração Editorial, 1996), traz um manancial de erros, achincalhes e plágios praticados por Paulo Francis.

Numa inusitada “dedicatória muito sincera”, Jorge escreve “Dedico este livro aos amigos e admiradores do senhor Paulio Francis, abaixo relacionados, para que eles, após a leitura, possam reavaliar o caráter, a competência, a cultura e a honestidade intelectual desse cidadão que além de ser um grande plagiário e um grande ignorante, é do mesmo modo um grande difamador de muitas pessoas honradas”, e lista os nomes de 42 duas personalidades do mundo das artes, cultura, política, editorial e jornalismo, dentre eles, Danuza Leão, Delfim Neto, Luiz Schwarcz, Nelson Mota, Millôr Fernandes, Ruy Castro e Lucas Mendes. E encerra a dedicatória dizendo que “Todos eles são inteligentes, reconheço, mas não há dúvida: a inteligência também tem os seus ingênuos e os seus dias sem Sol, de céu encoberto, dias que não deixam ver certas coisas…”.

Até a meiga cantora gaúcha Adriana Calcanhoto, também foi acusada de plágio indireto, por ter atribuído a José Miguel Wisnik, um texto do livro “Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido” de Fernando Jorge. O artigo de Adriana (Vai vai vai vai vai) foi publicado no jornal O Globo na edição de 20.10.2013, e por isso Jorge sugeriu que a cantora mudasse seu nome para “Adriana Calca em Outro”.

Se você é daqueles que gosta de um “ctrl c” e “ctrl v”, fique alerta! Fernando Jorge ainda está vivo e ávido por desmascarar plagiários.

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