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Médico nefrologista e professor universitário.

Saúde e fome

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publicado em 06/07/2020 às 11h02
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Povo doente em qualquer país do mundo é povo facilmente manietado. Perde a capacidade de raciocinar além de ser mais fragilizado fisicamente e muito mais fácil de ser manipulado ou manuseado. O brasileiro está sendo manobrado facilmente na época atual com o potente áudio visual que é a televisão dentro de casa mostrando o que quer e o que é do seu agrado.

A Globo predomina em todos os lares. Tenho amigos que não querem nem olhar para a tela da televisão quando está sintonizada na globo. Acham que tudo que diz é mentira ou está distorcido. Mas é um canal de alta tecnologia que não somos obrigados a aceitar tudo que ela mostra; o que digo àqueles que dizem se contaminar ao assistir aquele canal. Nesta época do corona vírus, há uma predominância absoluta de notícias sobre a pandemia. Nós que observamos no dia a dia as agruras dos doentes e das doenças vivenciamos ocorrências aviltantes por falta de um comprometimento sério dos setores públicos com pacientes sob sua tutela.

O dinheiro para a saúde sempre foi minguado com exceção do momento atual com o enfoque na pandemia que assola o país e o mundo. A população cresce e o surgimento das doenças é proporcional a esse crescimento e as verbas para a saúde não tem um crescimento proporcional. Somete na atual calamidade o dinheiro para a saúde tem surgido. Desconfia-se que parece haver a intenção de entregar ao setor privado o encargo com a saúde pública. Divulga-se com alarde recordes de arrecadação e o pagamento milionário dos juros da dívida externa.

O recolhimento de impostos pagos pelos brasileiros bate recordes sucessivos e o os lucros das instituições bancarias são cada vez maiores. O caixa do governo vive abarrotado apesar da divulgação oficial de sequidão alardeada pelo setor público. A situação atual com a pandemia está diferente, mas pacientes continuam voltando da porta dos hospitais. Se um hospital não credenciado acolher um doente necessitado para um tratamento corre o risco de arcar com todas as despesas passando a ser o financiador de um dever do estado. A situação é calamitosa em todos os serviços que dependem do dinheiro público para a saúde à exceção do momento da pandemia.

Uma constatação verídica: grande parte dos pacientes do SUS que procura interna mento nos hospitais tem fome crônica e o internamento é o último refúgio para a satisfação de uma necessidade básica. Muitos pacientes querem ficar internados além do necessário para usufruir daquilo que está faltando em casa: comida.

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