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Rômulo Halysson Santos de Oliveira é advogado e analista político, graduando em economia pela UFPB, empreendedor cultural e escreve semanalmente coluna de análise política com o título “Olhares Líquidos”.

Nenhuma Ditadura Merece Respeito!

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publicado em 01/04/2019 às 12h04

Nenhuma Ditadura merece respeito, que dirá comemoração. Todas elas- sem nenhuma exceção – nascem de uma narrativa salvadora, seja pela direita ou pela esquerda, pela religião ou pela nação. No final, todas querem a mesma coisa: poder ilimitado para violar regras jurídicas, políticas, sociais, humanas.

A história nos mostra que quando conquistado o objetivo, o comando vencedor se vale de falácias para justificar medidas autoritárias e assim manter a “revolução” permanente.

Na Rússia de 1917, a revolução que chegou ao poder, derrubando a monarquia czarista, prometia um governo dos trabalhadores, mas acabou criando um monstro sanguinário como Stalin. Numa Alemanha ainda desmoralizada pelo Tratado de Versalhes, a chegada de Hitler ao poder através do voto direto – é bom que se diga! – defendendo o seu “Mein Kampf”, se converteu no maior genocídio de todos os tempos. A Cuba de 1949, viu Castro enfrentar o imperialismo norte-americano comandado na ilha pelo alcoólatra Fulgêncio Batista, na sequência mandou ao paredão duas gerações de dissidentes. Outras duas iriam para a cadeia ou seriam “convidadas” a habitar Miami por incompatibilidade política.

No auge da Guerra Fria, o governo reformista de Jango transformaria-se em “fantasma do comunismo”, para justificar a instalação de uma das mais longevas e sanguinárias ditaduras do mundo. Chile e Argentina replicaram o Plano Condor.

Em 1979, o Irã derrubou a autocracia dos Xás e se converteu numa república teocrática e religiosa. Um dos países que mais viola direitos humanos, com destaque para os direitos das mulheres, tratadas como uma espécie de categoria social sub-humana no país.

Todos os exemplos apresentados tem em comum a violência, a corrupção e a intolerância.

Não há coerência em ser empático com a dor de quem perdeu parentes, amigos e/ou a própria vida lutando contra uma ditadura em detrimento de outra.

Esse tipo de solução dualista deveria ter ficado no século XX, mas estamos cá, em pleno 2019, rememorando absurdos e disputando narrativas. Nada mais conveniente para um governo que não tem o que mostrar do que aventar essa disputa para distrair convertidos dos dois flancos.

A única coisa interessante diante de tudo, é perceber que democracia é único regime onde diferentes podem se posicionar livremente. É o único, aliás, em que os excessos podem (e devem) ser punidos pelas normas constitucionais vigentes, sobretudo os excessos de quem faz apologia ou trama contra o Estado Democrático.

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