João Pessoa, 30 de março de 2014 | --ºC / --ºC
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As forças de segurança do Rio de Janeiro ocuparam no fim da madrugada deste domingo (30) o Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. A área – com 130 mil moradores em 15 comunidades – está sendo preparada para receber a 39ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio. A entrada das forças de segurança no conjunto de favelas começou às 5h e durou 15 minutos. Ao mesmo tempo, em diversos pontos da cidade, havia operações da polícia, prendendo pessoas ligadas a crimes na Maré. Entre as detidas está Daiene Rodrigues, namorada de Marcelo Santos das Dores, o Menor P, que, na semana passada, ao ser preso, disse ser o dono do tráfico na Maré.
A região, uma das violentas da capital, é considerada estratégica por estar localizada entre as Linhas Vermelha e Amarela, Avenida Brasil — principais vias da cidade — e o Aeroporto Tom Jobim (Galeão).
Não houve confronto na ocupação. Até as 10h50, segundo a polícia, 102 pessoas tinham sido detidas desde o dia 22, quando teve início a preparação para a operação na Maré – 89 no cerco e 13 neste domingo. Desde então, foram apreendidos 362 munições, dez revólveres, 33 pistolas, sete fuzis e cinco espingardas, alé, de duas metralhadoras e 18 granadas
As bandeiras do Brasil e do estado do Rio de Janeiro foram hasteadas por volta das 9h40, simbolizando a retormada do território pelo estado das mãos de criminosos. A PM deve ficar no local por cerca de uma semana e, posteriormente, o Exército vai entrar na Maré.
Durante varredura, policiais federais encontram 450 quilos de maconha e também armas que estavam em um depósito embaixo da terra nas proximidades da Vila Olímpica e do Ciep da Maré. A grande quantidade de material apreendido foi levado em uma caminhonete para a sede da Polícia Federal. Policiais civis, por sua vez, foram autorizados pela Justiça, com um mandado coletivo, a revistar casas no Parque União e Nova Holanda.
O clima durante toda a operação foi calmo. Imagens do Globocop mostraram o comércio aberto durante a ocupação e moradores nas ruas observando a chegada dos policiais tranquilamente.
A operação
Segundo a Secretaria de Segurança do Rio, a ocupação do Complexo da Maré contou com 1.180 policiais militares das seguintes unidades: Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Batalhão de Vias Especiais (BPVE), Grupamento Aeromóvel (GAM), 22º BPM (Maré), além de policiais da Corregedoria Interna da Polícia Militar. Policiais dos 1º, 2º, 3º e 4º Comandos de Policiamento de Área estão realizando operações em outras comunidades na cidade do Rio, Baixada Fluminense e Região Metropolitana.
Na entrada da Maré, alguns blindados tiveram que recuar porque não tinham como passar por carros de moradores parados em vias estreitas. Também foram encontrados bloqueios montados pelo trático. As ruas foram desobstruídas com auxílio de retroescavadeiras do Bope
A Polícia Federal ajudou com o serviço de inteligência e a Polícia Rodoviária Federal cerca os acessos para impedir fugas, nos mesmos moldes da ocupação do Complexo do Alemão, em 2008. Militares da Marinha também prestaram apoio, com 21 blindados e 250 homens, mas nem todos os carros precisaram ser usados.
G1
GUSTAVO FELICIANO - 23/04/2026