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Cristiane teme preconceito na França: “Vão ficar de olho nos estrangeiros”

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publicado em 15/11/2015 ás 08h10
atualizado em 15/11/2015 ás 15h55

Cristiane, atleta contratada em agosto para atuar pelo Paris Saint-Germain, tinha poucos dias de vivência na capital francesa quando foi abordada por dois policiais à paisana.

Uma denúncia de que a brasileira estava atrás de um homem em um caixa eletrônico, tentando olhar a digitação de sua senha do cartão de crédito, fez com que ela fosse interpelada, impedida de entrar em um ônibus e questionada pela dupla até que o caso fosse esclarecido.

A jogadora de 30 anos só não teve mais problemas porque um dos policiais era nascido em Portugal e notou que ela conversava em português com Erika, brasileira que também atua clube parisiense.

“Estávamos esperando o homem sair para poder sacar dinheiro. De onde ele tirou isso? Você vê a confusão por conta de uma coisa que o rapaz achou. Ainda bem que o policial era português e ficou tudo sob controle. Mostramos o documento que comprovava que a gente jogava no PSG, e o policial falou que, infelizmente, isso acontece muito aqui. Eu realmente fico com um pouco de receio, mas tomara que isso não venha a acontecer de novo”, contou, em entrevista ao UOL Esporte, horas após os ataques que ocorreram na noite de sexta-feira em Paris.

Cristiane estava em sua casa, em Saint-Germain, local afastado da área dos ataques, no momento das explosões e dos tiroteios. Ela acompanhou a repercussão do caso pela televisão e pela internet.

Assim que os ataques em Paris passaram a ocupar boa parte da programação da imprensa brasileira, seu celular não parou de tocar. As ligações e mensagens de familiares e amigos – que pediram sua volta ao Brasil – a deixaram acordada durante a madrugada. Na manhã de sábado, assim como as outras estrangeiras do PSG, decidiu não treinar por não estar à vontade com a situação – a decisão teve o aval da capitã da equipe.

Ela atribui seu medo à onda de insegurança que tomou conta da capital francesa após os atentados e à sua fisionomia, que a faria ser abordada novamente. “Eu até brinquei que o meu nariz grande pode até dar uma confundida. Tenho esse receio porque agora eles vão ficar de olho nos estrangeiros, vão ficar de olho em pessoas que, para eles, podem ser parecidas com outras”, disse.

O incômodo de Cristiane foi agravado pela postura do PSG, que não conversou com as atletas do elenco feminino após os ataques. A “falta de sensibilidade”, no entanto, não a faz cogitar a ideia de deixar o clube por enquanto.

“Por estar longe de casa, por ser estrangeira e estar assustada e com a família pedindo para ir embora, a gente esperava um pouquinho mais deles [diretoria do PSG]. Poderiam ligar para perguntar se está tudo bem, se estavam todas dentro de casa. Não houve isso. Faltou um pouco de sensibilidade”, lamentou.

A brasileira tem contrato com o PSG até junho de 2016. Antes de desembarcar no futebol francês, ela teve duas passagens pelo Santos e por clubes dos Estados Unidos, da Coreia do Sul, da Rússia, da Suécia e da Alemanha. Pela seleção brasileira, foi medalhista de prata nas Olimpíadas de Atenas e Pequim.

Uol 

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