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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Dissidência

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publicado em 20/08/2014 às 17h36

Pelo recente histórico de confronto entre as duas legendas na Paraíba, ninguém esperava que a aliança ao PSB fosse totalmente digerida pela militância e lideranças do PT. A pública e presumida dissidência da advogada Nadja Palitot, ex-candidata a governadora pelo partido, até então silente, é parte dessa realidade interna.

Porque sua manifestação contrária à coligação não deve ser resumida a uma questão pessoal com o governador Ricardo Coutinho, de quem ela, de fato, guarda diferenças e mágoas. No abreviado período em que representou a abortada candidatura do PT, Nadja verbalizou um sentimento partidário reinante à época: contraponto ao estilo do governo do PSB.

Aliás, foi embalado nesse sentimento que o PT chegou ao comando da principal cidade do Estado e ganhou tamanho e importância eleitoral hoje encarnada na figura do prefeito Luciano Cartaxo, cuja natural posição de destaque lhe alçou ao posto da mais importante liderança do partido presença no rol dos nomes de proa da política estadual.

Protagonista de uma postura decente ao pedir licença do partido e colocar o cargo que exerce na Prefeitura à disposição do prefeito, Nadja se despe de todas as eventuais amarras éticas para ter a liberdade de divergir, ainda que comedidamente, da deliberação majoritária.

Ela faz o que graduados ocupantes de altos postos na Prefeitura fazem sem a mesma coragem de botar a cara e renunciar espaços remunerados de poder para expressar politicamente a discordância com o rumo tomado e adotar caminho diferente. Nadja é a voz dos que optaram pelo silêncio.

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 20/08/2014 (quarta-feira).