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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Cultura do espancamento

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publicado em 27/01/2026 ás 07h00
atualizado em 27/01/2026 ás 08h39

Os ratos saíram das piscinas, dos closets, dos quartos e se juntaram a outros ratos de praia, nas tragédias anunciadas. São muitos ao engano dos olhos e  milhares de julgadores…

Em cena, o cantor João Lima espanca a mulher Rafaela Brilhante – isso todo mundo já viu –  O que nunca foi glória, surge sufocada na superfície lamaçal de vidas íntimas expostas. Horrores. Muitos horrores.

Falando em ratos, os gatos estão miando muito na beira mar do Cabo Branco. Por quê, hein dona Energisa?

Voltando a piscina, não é mais do que uma ascua piscina.

A imagem do João Lima é um desespero, que tem a garantia machista, de que parece não correr risco, nenhum risco.  Como disse Luiz Melodia – “machismo, elegância paterna”

Cenas de um casal na cama, uma câmara que filma tudo, socos como se os personagens fossem dublês, para discutir a morte de Deus, ou o Apocalipse amoroso.

Mas do que nunca marido e mulher nesse cenário não entregam só a colher, mas todos talheres de bandeja, põem em discussão o modo de vida entre 4 paredes. Chega, né?

Por isso, tenho a ideia de uma progressiva perda de potencialidades pragmáticas, diria, além de ativas, morais e políticas da vida postada nas redes.

A cultura do espancamento está convertendo cada vez mais em uma zona de perigo, com a crescente a matança de mulheres em nosso país.

Uma espécie de gueto, um contágio que se arrasta e não tem fim.

Agora me digam, todos os dias os homens matam suas mulheres e ninguém faz nada, né?

Agora me digam, tem droga no meio?

Casam às pressas, se detestam com o passar dos tempos, e passam a pronunciar juízos de conjunto. Isso é um perigo, porque as imagens estão viajando numa velocidade estonteante, na direção de  –  salve-se quem puder.

Kapetadas

1 – Em tempos de redes sociais, ninguém quer mais a verdade, basta um resumo rápido.

2 – Relações profundas começam com pequenos acordos, como não comer pipoca durante o sexo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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