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O perfume nunca é inocente, mas o aroma é quente, bem quente.
Ele chega antes de mim, permanece depois, denuncia ausências, inaugura lembranças que eu não convidei. Há fragrâncias que são aviso. Outras, promessa. Algumas, armadilha, mas quem leu o Perfume de Patrick Suskind, entende do riscado.
Escolher um perfume é escolher como se quer ser lembrada — ou esquecida. Talvez.
Não borrifo para agradar.
Borrifo para marcar território invisível.
O perfume toca sem tocar. Entra na pele alheia sem pedir licença. É íntimo sem ser confissão. É presença mesmo quando o corpo já foi embora.
Há dias em que escolho o mais forte, quase excessivo, como quem diz: estou aqui, estou ali, estou além
Em outros, quase nada — só um rastro, para quem sabe procurar.
O perfume não explica quem sou.
Mas sugere.
E isso basta.
Meu perfume é Patrick Suskind
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
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