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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

As nossas certezas tem nos deixado cegos

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publicado em 17/01/2026 ás 07h00
atualizado em 17/01/2026 ás 08h26

Por vezes, temos cerca de dois minutos, não mais que isso, pouco mais que isso, e mesmo se fossem semanas ou meses, estes minutos não seriam o suficiente para mostrar a cara aborrecida, diante de uma cena, um drama na calçada do poder,

Vem uma falsa sensação de profundidade, reparamos nas coisas escritas mas logo tudo se desfoca e estraga. Uma mulher se agarra comigo na frente do palácio, me chamando de Ariano Pereira, disse que me conhece das redes sociais e me entrega seu livro, “Manquitolava infelicidade” – adorei o título.  Na capa, um corvo numa ilha perdida.

Uma escritora idosa, apressada, com olhos da cobiça, me comia da cabeça aos pés da Santa Cruz. Cruz, credo! Não sei se é pior o que fiz ou o que faria se me dessem mais tempo. Abri o livro, um livro espesso, cheio anotações sobre a infelicidade, procurei um sexto e não encontrei.

Segui a fila para visitar pela segunda vez o Museu de História da Paraíba, um museu que não tem lá muitas novidades. O livro pesava na minha mão, tive medo da ler, da lesão do esforço repetitivo e pensei em colocar a obra mesa preta do museu, mas tive medo de estar sendo filmado.

Venho a lugares destes pela história, mas não estava nos planos, no pingo do meio dia, entrar novamente no museu, mas fiz para fugir da conversa comprida da escritora, pela forma como por aqui misturados estamos entre  nós os deuses e os blefes.

Na terceira sala, onde nasceu Ariano Suassuna, dou de cara a autora do livro “Manquitolava infelicidade” que estava em minhas costas e vi que tinha cabelos nas narinas e eu queria estar invisível na impossível da cena. “capriche no texto, sobre meu livro”, disse ela. Eu balancei a cabeça, me fazendo de lagartixa. Desagrada-me o gosto irremediável da escrita da senhora escritora, mas não disse.

Lembrei de Ascendino Leite, onde lhe importava mais as cartas que os remetentes. Na mão, o livro parecia uma rapadura, acho que de uns dois quilos.

O mais longe possível, que queria estar do gosto irremediável das criaturas, que insistem mergulhar no raso da literatura.  No Salão Nobre, tratei de zarpar  pela escadria principal do antigo palácio e nem perguntei o resultado do futebol.

Não sei se verei outra vez a escritora, o livro dei de presente ao policial, que agradeceu profundamente.

Eu não sei mais o que dizer, nunca mais, nunca mais.

Em casa, voltei a ler “Eu mataria o presidente”  de Adelaide Carraro.

Kapetadas

1 – Burro é aquele a quem pedem uma Coca-cola e ele traz a geladeira.

2 – Aqui eu só falo do que não entendo. Ou seja, quase tudo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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