João Pessoa, 18 de novembro de 2025 | --ºC / --ºC
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A caridade verdadeira não precisa de plateia. Aliás, por caridade, não faça caridade e coloque nas redes, faz em silencio. Não precisa de anúncio. Não precisa de testemunhas. Ela age e sai. Faz e vai. É como água que corre no escuro: limpa sem esperar gratidão. Rios, muitos rios.
Essa quase nunca aparece — talvez porque não gere aplausos, talvez porque não sirva de adorno moral.
A caridade corrompida adora câmeras. Holofotes
A verdadeira, não: prefere silêncio.
E eu, que já estive em reuniões onde as palavras “ajuda”, “apoio” e “solidariedade” eram ditas com a mesma frieza com que se discute orçamento, entendi que a caridade virou etiqueta social. Quem não a ostenta parece cruel; quem a exibe demais parece santo. No fim, ninguém sabe quem realmente ajuda e quem apenas administra sua imagem.
Há ainda quem doe para aliviar culpa, não para aliviar dor.
Quem dá o que sobra, mas não dá o que pesa.
Quem entrega objetos, mas não entrega tempo.
Quem oferece cestas, mas não oferece presença.
Quem ajuda para ser lembrado, mas não para transformar.
E há também aqueles que, ao serem ajudados, tornam-se troféus vivos da bondade alheia — usados, exibidos, citados, fotografados. Transformam pessoas em conquista, como se cada uma delas fosse prova de uma virtude que nunca existiu.
Cariedade não é piedade, é amor
PARECE CARIDADE
A caridade que aprendeu a aparecer não transforma vidas transforma currículos.
Não cura ferida decora discursos.
Não salva ninguém,apenas salva reputações.
Por isso ela está aqui, entre as corrompidas.
Porque, quando a compaixão vira espetáculo, o sofrimento vira palco.
E quem ganha não é quem recebe, mas quem posa.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 15/01/2026





