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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Bianca Alencar chocou ao contrário

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publicado em 24/06/2025 ás 07h00
atualizado em 24/06/2025 ás 09h14

A imagem de Bianca Alencar dizendo que a comida nordestina é ´lavagem´ nos remete para a miséria brasileira, a civilização de nativos, que não tem nenhuma construção cultural, nenhuma afirmação, mesmo que paradigmas não se desconstroem sozinhos.

Outras vezes isso acontece com pessoas que atacam diretamente a nós nordestinos, mas isso não nos atinge. Tenho pena da Bianca que perdeu seu emprego e ainda foi para as redes se desculpar.

Quando me lembro que em São Paulo, andando nas ruas com a jornalista Selma Tuareg e as pessoas escutavam meu sotaque, me olhavam como um ET e isso também aconteceu em Paris, por insultos dos argelinos  – como já disse, isso é da civilização que não consegue sedimentar nada.

Essa malandragem que atravessa séculos é  dizem ser uma afirmação de uma identidade genética, também não convence.  Muitas vezes elegemos um ´penetra´ para depois colocá-lo para fora do nosso quintal. Não há problema algum em sustentar isso, caso o Nordeste fosse independente como está no poema de Bráulio Tavares – ´começando uma vida diferente, de que a gente até hoje tem vivido, imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente´

Não se tem notícia de um nordestino dizer que a comida de São Paulo é ´lavagem´, até porque não é. Sou contra qualquer tipo de revidar com violência, nem verbal. E sou contra qualquer tipo de preconceito.

Dentro do preconceito tem vários preconceitos.

Discordo da ditadura dos imbecis imposta pela futilidade de consumo e da busca desesperada de querer viralizar, por um modelo jamais alcançado.

É um ciclo vicioso, até decidirmos quebrar o paradigma.

Tenho pena da moça. E nada mais.

Kapetadas

1 – Ser humorista no Brasil é uma piada.

2 – Eu ia escrever um texto sobre quem deixa tudo para depois do feriado, mas acabei deixando para depois do feriado.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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