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Francisco Leite Duarte é Advogado tributarista, Auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), Professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, Mestre em Direito econômico, Doutor em direitos humanos e desenvolvimento e Escritor. Foi Prêmio estadual de educação fiscal ( 2019) e Prêmio Nacional de educação fiscal em 2016 e 2019. Tem várias publicações no Direito Tributário, com destaque para o seu Direito Tributário: Teoria e prática (Revista dos tribunais, já na 4 edição). Na Literatura publicou dois romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”. Publicou, igualmente, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias ( “Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas: “Nos tempos do capitão” …

A bodega de Zé de Firmo

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publicado em 01/03/2024 às 15h00
atualizado em 01/03/2024 às 12h56

Areias é um povoadozinho pertencente à cidade de Uiraúna, alto sertão da Paraíba. Tirando algumas casas fugidias do modelo, é constituída de duas ruas paralelas, uma cubando a outra, dia e noite e no meio, uma capela, a coisa mais bonita do mundo, cuja santa protetora é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Dessa capela fui frequentador recorrente. Talvez, nela eu tenha me batizado. A primeira comunhão, foi lá. Frequentei suas missas, li o evangelho nas novenas do mês de maio, incentivado por Tota, a guardiã espiritual do povoado, uma das suas heroínas e baluartes.

Eu tinha Areias como o único referencial de “cidade” grande. Era enorme aos olhos de um garoto que morava isolado, aos pés da Serra do Desterro, no sítio Saco Sinhazinha.

De Areias, já falei no MaisPB mais de uma vez ( MaisPB • Areias, Uiraúna, Brasil). Escrevo, agora, de um símbolo seu que perdurou por muito tempo, compondo lhe a paisagem e a sua humanidade. Refiro-me à bodega de Zé de Firmo, filho de Mundinha, sobrinha de papai.

A bodega de Zé de Firmo era imponente, surtida de ponta a ponta, tinha a seriedade do seu dono, um empreendedor nato em um tempo e lugar em que poucos detinham a altivez da independência econômica. José de Firmo tinha.

Papai era frequentador assíduo. Nas festas de Areias, nos dias das eleições, nos sábados quando vinha da feira de Uiraúna e lá parava para uma prosa com os amigos. Algumas vezes, ainda bem jovem, eu o acompanhava, já que papai se casou tarde e eu fui concebido quando ele tinha 61 anos.

Papai adorava me apresentar às pessoas que admirava. A bodega de Zé de Firmo era o lugar mais do que apropriado, afinal, o proprietário era seu sobrinho segundo e ali proseava-se as agruras e as alegrias da comunidade em uma conversa comprida e animada, regada à cabeça de galo, uma mistura de aguardente com conhaque que dava um fogo da moléstia.

Não sei até quando a bodega de Zé de Firmo esteve em funcionamento. Deixei a região aos 18 anos, mas sei que ali sedimentou-se muitos dos bons valores do povoado de Areias.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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