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Graduado em Jornalismo, Yago Fernandes é um “pitaqueiro” sobre a vida, relações humanas e um apaixonado pela comunicação. É mestre de cerimônias e tem experiência com palestras e oficinas de Oratória. Atualmente, também é assessor de comunicação.

Não existe milagre quando o dinheiro fala mais alto 

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publicado em 07/02/2024 às 12h05
atualizado em 07/02/2024 às 09h06
Rear back view of casual man sitting in front of a wall under money rain dollar banknotes falling down.

Ninguém nunca conseguiu desvendar os acontecimentos do outro dia, do amanhã. O misticismo surge sob a necessidade de o ser humano atrelar sua vida ao divino, ao oculto. Tentar se agarrar ao que não é real é correr atrás do vento, não é sadio. Para irmos ao assunto do momento, mais uma vez me valho das entrelinhas. 

Não sei se você acompanhou a história do Beto Barbosa – o renomado cantor de músicas que fazem sucesso ao som da velha e boa lambada. Quando falo em história me refiro às últimas informações sobre o Beto, que passou por problemas de saúde nos últimos tempos. Segundo o portal de notícias Extra, o artista disse que é a “prova de um milagre” por ter sido curado do câncer na bexiga e próstata. 

Ao ler a manchete, confesso que não fui adiante, não era preciso. O cantor dispõe de recursos com os quais lhes são necessários para o cuidado da saúde. E todo esse dinheiro, vale destacar, é fruto do seu trabalho, ele é um artista rico, ou quase isso – desconheço sua fortuna. Só que falar da existência de milagre diante da cura, é um conta que não fecha. Beto tem estrutura, teve e está avaliado por médicos de ponta, em hospitais caros e de confortos. E os demais – pobres necessitados do sistema público de saúde – os quais enfrentam filas enormes e carências de todo tipo, por que estes não são agraciados com “milagres”? Poxa, Betinho, devagar.

Reafirmo não ser contrário a quem gasta sua riqueza protegendo sua vida, claro que não, no entanto não dá para sair por aí atribuindo seu bom estado de saúde ao inexplicável. Não devemos confundir fé com ação; a primeira serve como fulcro aos crentes, a segunda é a bússola para todo ser vivente. Caminhe e o caminho se abrirá, já dizia o pensador. 

A pesquisa explica tudo 

O IBGE nos fez saber que o Brasil tem mais estabelecimentos religiosos que unidades de saúde e escolares juntas, conforme pesquisa divulgada recentemente. Parece óbvio, embora assuste. Isso explica, e muito, a sociedade em que vivemos. Um povo sem acesso ao básico – e cito escola boa e hospital de qualidade como algo primordial ao povo – é massa de manobra para quem prega deus e o rotula como único salvador. 

Folia e responsabilidade 

Não custa lembrar novamente sobre os cuidados com a saúde durante o período carnavalesco. Médicos e outros profissionais da saúde têm aparecido aos montes em matérias de tevê falando as mesmas coisas de sempre: beber água com frequência, usar protetor solar, preservativo não pode faltar, enfim. A grande maioria não dá bolas a isso. Depois não se queixem, porque a quarta-feira de cinzas poder ser marcada por choro e ranger de dentes. Fora disso bastar seguir a boa cartilha e cair na festa, afinal somos festeiros, sim, e não adianta você negar ou contestar isso. Tu aí, leitor, sabe bem o que estou dizendo, ô, se sabe… Viva! 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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