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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e Diretor do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba. Contato: [email protected]

Paraíba, meu amor

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publicado em 28/06/2022 às 07h00
atualizado em 27/06/2022 às 17h17

Tem uma música que é a cara do São João: “Eu fiquei tão triste eu fiquei tão triste naquele São João…”  Ela retrata em carne e osso meus sentimentos, que, por curiosidade, não foram vividos, conforme a letra retrata, como um amor que não apareceu para festejar a fogueira.

Insensatamente, a festa mais alegre é, para mim, a mais melodiosa, a mais melancólica. E por que seria assim?  São João nos remete ao passado de nós mesmos. Digo, de mim mesmo. Às músicas que nos impregnavam, que se misturavam a emoções, pamonhas e canjicas, feitas pelas mãos mágicas de nossa mãe, tanto quanto aos milhos assados na beira das brasas que a fogueira deixara.

Por isso, é uma festa, primordialmente, de saudade. Saudade de um amor que nunca existiu, pelo menos na personificação que as músicas nos trazem. É um amor abstrato, pintado em uma tela imaginária do nosso mundo fantasmático, ali no mesmo lugar onde se misturam terra, sentimento de nordestinidade e amor ao lugar da infância.

São como as imagos parentais construídas, mas que não sabemos como, nem onde ficam. Entressonho apenas. Mais sentimentos que imagens, desdobradas pelo meu sertão sem sim.

Quem mais me traduz esse sentimento é “Paraíba meu amor”, do preto catoláico Chico César (foto). É sempre o sentimento de que eu vou voltar. Eu quero ficar. E por isso, talvez, escorado nas paredes que formavam o nome P a r a í b a, nunca tenha tentado a vida longe daqui, ou longe de mim.

Longe de mim, eu disse? É que o modo São João se mistura ao meu estado de coisas boas e tristes, saudades ardentes e vida fumegante de flor e mel, seca e chão, gente pobre e nobreza. E de tudo que restou dentro do meu coração.

Meu coração Patolaico, como diria Chico, só me deixa ficar. É apenas uma paixão, que com tantos anos, mudou de cidade e virou amor ao que é de mais puro nesse imenso sertão nordestino e que brada sem cerimônia aos quatro cantos do meu ser.  Daqui do meu lugar paraibano, no resfolengo de todos os foles, peço as bençãos a São João e São Pedro.  Em nome do amor dessa gente de fé, e de coração tão grande.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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