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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e Diretor do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba. Contato: givaldomedeiros@uol.com.br

Superando nossos fins

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publicado em 21/06/2022 às 07h00
atualizado em 20/06/2022 às 17h00
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Atribui-se a Aarom Beck,  (foto) psicanalista e Professor de Psiquiatria da Universidade da Pensilvânia, a invenção da Terapia Cognitivo-Comportamental, trazendo, no final dos anos 1960, mais que técnicas de comportamento, a compreensão da cognição do sujeito. Foi assim que encontrou outras explicações para a Depressão, com cognições negativas e distorções, como características do estado depressivo.

Daí a proposição de que haveria pensamentos automáticos e crenças básicas sobre si mesmo, e sobre as outras pessoas, que dominariam e influenciariam as emoções e comportamentos. Compreender e encarar as suas experiências a partir de uma nova compreensão de si, seria o caminho para corrigir distorções e tornar seus pensamentos mais funcionais.

É nesse sentido de modificar esse modus operandi que um terapeuta cognitivo trabalhará com o seu cliente, e, para isso, usará uma infinidade de técnicas cognitivas (que diz respeito ao pensamento e todas as funções que põem o indivíduo em sintonia com a realidade) e com o comportamento dele. Para isso, no entanto, precisa de avaliação, diagnóstico, traçar objetivos, amplos e específicos.

Fiz todas essas considerações, para dizer, que não acredito, nem vejo com bons olhos, os especialistas que se esmeram para, supostamente, transmitir informações educativas ao público leigo, quando, de fato, faz autopromoção subliminar.

Veja esse Check List com a finalidade de “superar o fim de uma relação”. Não vou cansar os leitores com os dez passos.  “- aceite o seu momento; – chore se tiver vontade de chorar. Não se prive de suas emoções; – aproxime-se de quem te faz bem e afaste-se de quem te faz mal; Resgate-se. Escute músicas e assista a filmes” […].

Esse check list poderá fazer sentido no acompanhamento de um paciente específico, depois de identificadas suas vulnerabilidades. Escrito assim, não passa de lugares comuns, para qualquer momento da vida de qualquer um. Em nada atende a um momento de perda especificamente, se essa perda se transforma em algo mais danoso, ou num luto patológico.  Outra: em nada educa. Em nada ajuda. São palavras gastas.

Com certeza, não serão recomendações tão óbvias que nos ajudará quando estivermos, sofridamente, tentando superar nossos fins.

 

 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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