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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Belas manhãs de abnegados anônimos

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publicado em 24/05/2022 às 07h00
atualizado em 23/05/2022 às 15h54
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É impossível compreender a Eternidade: somos todos testemunhas temporárias. É inevitável esquecer o revólver das bocas e as misérias brasileiras.

Esbarro em gente medíocre, que pensa que sabe tudo, mas eu prefiro os desconhecidos, que tenho reencontrado na Praça João Pessoa.  Ô lugar rico de cenas. Fellini perde feio.

Não dar para passar batido diante desses atores ignorados, mas o assunto aqui não é arte, muito embora a arte está em toda parte, nos prédios de luxo, sempre na fachada. Sem comentários…

Existe um cipoal de interesses e tudo não passa de interesses, sempre foi assim.

Eu não sou crítico de arte, nem de cinema, nem de nada, sou um observador. Explico: comecei a ver que na arte houve o chamado deslocamento, a ideia, o conceito, tornou-se mais importante que a realização da obra. Assim nada acontece, sequer uma performance.

Subentendendo uma plêiade (que palavra liiiiinda!) eu prefiro mudar de assunto. Voltemos ao chão da praça.

Não existe cena mais oficial, do que os casais sentados nos bancos da Praça João Pessoa. Às vezes lembra o filme “A Lira do Delírio”, de Walter Lima Jr. 1978, cujas personagens vivem o êxtase total.

Outro dia, vi uma mulher penteando o cabelo do marido. Na semana passada, um homem sozinho colocava desodorante nas axilas. Dias depois, duas moças pareciam apaixonadas e uma senhora falava com o dedo em riste, como se estivesse dando um ultimato no macho.

São amantes das belas manhãs, abnegados anônimos.

Esse é o conceito. Qual? Ué, votamos a falar de arte?  Não, a rigor, uma pura aparência, uma representação de superfície com vistas a surfar na onda daqueles que vivem suas vidas sozinhas.

Gente que não se preocupa com imposto de renda, não têm dinheiro aplicado e enquanto a morte não chega, rola um prospecto casual.

 Vejam vocês, gasolina já subiu de preço.

Ousei perguntar a uma senhora que usava uma sombrinha colorida, em quem ela vai votar em outubro. Ela disse-se assim, tenha pena de mim, vá embora.

É isso, um é par de três.

Kapetadas

1 – Sou do tempo em que pen drive servia pra guardar arquivo e não pra fumar.

2 – Sempre essa deslegitimação dos votos brancos ou nudes.

3 – O som na caixa está dentro do texto.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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