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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

Com certeza

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publicado em 06/11/2021 às 08h22
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Fui visitar a escritora Ângela Bezerra, e sai da casa dela com uma certeza na cabeça: a certeza desse encontro mexeu comigo.

Procurando sintetizar as relações com o amigo, um eterno amigo, seja como um rio que flui, aquele que se encontra enraizado no corpo da nossa alma, a gente termina por germinar ou deixar morrer o elo.

Nunca ter preferido não entender, mas os argumentos nem sempre convincentes ou não, deixam uma dúvida na vida que segue.

Com algum facilitismo, (nada a ver com à exigência) a vida tem sua poesia. Mas só poesia fica faltando um pedaço. Tipo feijão com arroz.

Não é que isto não seja, em parte, uma irrealidade, mas poucos são e alguns da boca pra fora, e não há outro que se lhe compare quanto à acuidade com que a observamos. A gente passa a vida fazendo amizades e algumas não tem a sutileza de espírito. Algumas…

Mais do que um compromisso, a certeza não está só na passagem do tempo, porque nem tudo são flores. Ou, como dizia minha mãe – no começo, tudo são flores.

Muito mais do que o coração espera de uma certeza tardia, mas que seja ou pelo menos a concepção dessa certeza, e a gente possa descobrir algo e depois ter ou não a certeza. Amizade é uma bússola. Orientação.

Quando postei uma foto do dia do meu casamento, Jória Guerreiro comentou: “case com uma pessoa que tenha esse olhar do K”. Fiquei comovido!

Ângela Bezerra me contou que estava na casa do saudoso jornalista Luiz Augusto Crispim, e ouviu dele a melhor definição de amizade: “a certeza”. A certeza de que, Ângela? Sim, a certeza nos dá uma dimensão alheia a qualquer gesto, ação ou reação, que possa ser correspondido.

Não é complicado, é o que nos permite compreender o lugar do outro na vida da gente, em que a linguagem quando se coloca, ainda que nunca tenha ouvido sequer a necessidade de sermos siameses, porque amigo não precisa estar colado no outro. Com certeza a amizade compartilhada, nos dá a forma da vida.

Ainda que essa certeza sequer não existisse e fosse apenas uma ilusão da confirmação, tem que saber onde se pisa. Não existe jeitinho. Às vezes me faço de cego, de mouco, de doido, para evitar constrangimento.

Essa certeza de que estou falando, essa assertiva, primeiro que tudo, a reciprocidade, aconteça o que acontecer.

A visita a casa de Ângela, o café, os biscoitos de canela, a vida passando na janela, me deu a certeza de que somos mais silêncio, do que qualquer intervenção, passado, presente e agora.

Um grande mistério. O resto, é a incerteza.

Kapetadas

1 – Não gostar de mim não faz de você uma boa pessoa, mas já atesta um certo bom gosto.

2 – Sou apenas um jornalista.

3 – Som na caixa – “A garrafa precisa do copo/O copo precisa da mesa”, Marilia Mendonça – nossa homenagem a cantora que partiu ontem – teve vida mínima

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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