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Francisco Leite Duarte é Mestre e Doutorando em Direito pela UFPB. É professor da Universidade Estadual da Paraíba, Jurista, Escritor, Palestrante e Auditor Fiscal. Prêmio nacional de educação fiscal 2016 e prêmio estadual e nacional de educação fiscal 2019. Na literatura, publicou o romance “O pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto” e uma coletânea de prosa poética (este em parceria com Cavichioli), chamada “Decifra-me ou te devorarei

Somos humanos. Paciência, então

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publicado em 22/10/2021 às 07h35
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Há dias em que a gente está assim: capiongo, desesperançado com o futuro emborcado para dentro de nós mesmos, com vontade de chorar. Mas, como todo caminhar é um céu aberto a imprevisíveis possibilidades, de repente, para o esplendor da nossa alma, um vento vindo “lá de não sei de onde” muda tudo em questão de segundos. A vida ganha as cores da alegria, os pensamentos vestem uma roupa de festa, nossos olhos espiam o presente com a vista benfazeja da esperança, e a vontade de dançar pulula na nossa mente, expondo a exuberância do viver.

Como o céu! Às vezes, tão azul, com suas nuvens rasgadas transformando-se em carneirinhos ou outras imagens, bichos estranhos, carrancas barbudas, e, de repente, em um movimento vindo das profundezas da natureza, tudo se transforma: o céu fecha o cenho, as nuvens tomam água, o vento sopra desgovernado, os relâmpagos estiram suas pernas reluzentes para todos os lados, a chuva cai e escorre em zigue-zague, preenchendo a terra de vida e de abundância.

Ah! A vida da gente é assim. Horizonte aberto, reticências de muitos pontos, início e fim ao mesmo tempo, caminho e caminhar, contingências, maré que vem e vai, a mudança em si mesma, porque tudo que nos cerca — e nós mesmos — é vácuo e totalidades.

Então, há de se ter paciência. Talvez o equilíbrio em si não exista nem possa existir jamais. Talvez, seja apenas um esquema mental conformador da finitude da humanidade, como a fé, como a racionalidade, como as certezas, como os conceitos da realidade, afinal, até as matemáticas têm seus paradoxos, destemperos e seus números irreais.

Então, é assim. Talvez as bonanças que nos preenchem de felicidades guardem o germe das maledicências, à espreita do próximo movimento; e elas, o que nos enche os olhos de lágrima e sofrimento, portem, em suas entranhas, a semente do que há de melhor para as nossas vidas. E nós, esse pêndulo em busca de sentido e paz, somos o que somos mesmo: potência e movimento, esse pontinho de nada e tudo, dançando a nossa vida nesse marzão de possibilidades.

Somos humanos. Paciência, então.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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