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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

Agendando alegrias

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publicado em 12/10/2021 às 07h41
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(Para todas as crianças) 

A saudade que cobre a falta de meus sonhos de menino, não me faz olhar para trás. De repente, as coisas mudam. Mas eu ainda sonho. E agendo alegrias, para além do sublime.

Um minuto de silêncio pelas crianças introvertidas às mãos das perpetradoras extrovertidas. Um minuto de silencio pelas crianças que são abusadas e mortas, antes de sonhar. Um minuto de silêncio é pouco, é muito pouco.

Nunca fui de inflamar nada, mas sei cantar pelas calçadas os degraus até a pureza das crianças.

Uma pequena alegria.

Trabalhar em casa tornou-se cansativo. Às vezes escuto a voz da minha mãe: “Menino, não pise na cozinha agora, que eu acabei de passar o pano”. Quando olho para o tempo, não é minha mãe.

Por esta coisa de ser anjo enrolado em si, não sou melhor que ninguém. Tenho sempre vontade de saber mais, mas estou longe da lama do mundo.

Colo-me ao que vem escrito nos livros e preciso tanto do essencial. Só do essencial.

Tem de haver alegria no meio de tantos dias tristes. Ainda posso sonhar que sou um menino.

Consolo mesmo assim ao ver as crianças e pais nas ruas, cenas que não posso mais desfrutar, andar segurando a mão de meu filho.

Reparo sempre em novas palavras, como se lá fossem somando ruas de amores de uma cidade vegetal.

A tristeza de uma criança entre os destroços do cabo do mundo, sem vestuários, sem moradia, sem nada, com a mão estirada.

Sabe que às vezes ainda sei fazer muita coisa, que tantas vezes se refaz quando se declaro, mesmo que não possa abraçar, quando era bom, quando foi bom. E será

Transformo o que perdi lá atrás. Um rosto antigo numa foto na parede da casa: Pai e mãe.

Com o meu coração acelerado ou a vontade aflita onde aluíram os meus antepassados, que também já foram crianças.

Preferia uma mãe comigo a dançar a vida, do que uma mãe no céu. É possível ser feliz sozinho?

Por favor chamem minha mãe Marguerite Yourcenar, sobrevivente e incrível do amor de Adriano.

Quer saber? Meu partido é o coração.

Kapetadas

1 – O que não mata, vira resenha pra podcast.

2 – A gente finge que não vê, mas a gente vê.

3 – Som na caixa: “Quem lê tanta notícia”, Caetano Veloso.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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