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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e coordenador do Curso de Medicina da UFPB. Contato: givaldomedeiros@uol.com.br

Tomara, meu Deus, tomara

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publicado em 14/09/2021 às 07h43
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Grupos terroristas voltaram a dominar o Afeganistão. E logo nesse mês de setembro, o mesmo que, no dia 11, há 20 anos, ocorreu o ataque às Torres Gêmeas de Nova York. Todos que assistimos, atônitos e boquiabertos, jamais haveríamos de esquecer.

E foi dali, das montanhas de Tora Bola, no mesmo Afeganistão, que fugiu Bin Laden, o chefe da Al-Qaeda, atravessando montanhas e simulando esconderijos, escondendo-se em cavernas,  até chegar ao Paquistão, onde seria morto pelos americanos, em Abbottabad, no dia  2 de maio de 2011, 10 anos depois da ação  terrorista.

Estamos há 20 anos do episódio, e entre escombros, lágrimas e fatos da história, foram produzidos cerca de sete filmes, que tentam desvendar os desalentos e mistérios daquele episódio. Desde o olhar de crianças que tentaram traduzir as consequências, daquilo que fora vivido, quando alunos em Stuyvesant, uma escola pública de Nova York, a poucos quarteirões de onde tudo ocorrera.

Num deles, Charlie Finema, que perdeu sua família, procura apoio em um antigo amigo de faculdade, Alan Johnson, que sofre também de problemas semelhantes. Como que em busca do que fora perdido, os dois tentam minimizar a solidão, ao se ajudarem mutuamente, e fortalecer vínculos, afetos e a amizade esquecida, perdida no tempo, como nos ocorre acontecer.

Assim, histórias vão sendo contadas. Ora sobre países, serviços secretos, caçadas terroristas; ora centradas em personagens comuns, em pessoas e suas mais desesperadoras revivescências, depois de 11 de setembro. São familiares, amigos, colegas e descendentes dos mais de três mil mortos, vítimas e sobreviventes.

Betty Ong é um desses personagens.  Aeromoça que, com suas mensagens à torre de comando, heroicamente, ajudou a identificar os sequestradores do voo da American Airlines. Avisou que, na cabine, ninguém atendia. Que possivelmente haveria pessoas esfaqueadas ali. E anunciou, com a calma dos grandes personagens de ficção: “acho que estamos sendo sequestrados”. Como todos do voo, ela também morreu, mas, suas informações, foram de importância grandiosa para as investigações.

Betty, em criança, sonhava em viajar. Assim como eu fazia de cima das serras que me mostravam a existência de paragens e terras distantes. Ela sonhava do chão, olhando aviões voarem sobre sua cabeça.  E como que tivesse um destino do qual não pudesse se desligar, tornou-se comissária de bordo. Até que naquele encontro do avião com as torres gêmeas, chegou ao fim seu itinerário, junto com sonhos a realizar, e sem haver visto a irmã a quem visitaria, e que, por isso, trocara sua escala de voos para ali estar. Findou-se para sempre.

Como, para sempre, ficarão as palavras da americana de origem asiática, a anunciar fidelidade ao lugar que lhe serviu de berço natural, e a pedir uma visão solidária com pessoas de todas as origens.

Como se pedisse, um mundo com menos quintais, e, em devaneios tão comuns a nós, rogasse por uma nação grandemente solidária. Tomara, meu Deus, tomara. Sem preconceitos, tomara.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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