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A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é doutoranda em Psicologia Social – UFPB, Mestre em Desenvolvimento Humano – UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância pela UFF. @profaerikamarques

Bora ressignificar?

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publicado em 31/08/2021 às 07h47
atualizado em 31/08/2021 às 05h07
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Muito na moda hoje em dia, o termo ressignificar no conceito literal da palavra significa atribuir um novo significado a; dar um sentido diferente a alguma coisa; redefinir. Como é amplo o exercício da ressignificação, pois enxergar o que vivemos de forma diferente, é realmente bem impactante, mas vamos nos deter a uma abordagem mais popular e menos rebuscada.

Na literatura coach, a palavra ressignificar e suas derivadas são muito utilizadas como sentido de transformação da dor em ação, de se ver os pontos negativos como impulsionadores para um processo de mudança de paradigmas, entre outras interpretações. Mas acredito que para ressignificar não precisamos necessariamente ter algo negativo a ser mudado, afinal a vida é um processo e não um quebra-cabeça exato de cinco mil peças, no qual tudo se encaixa perfeitamente.

O ressignificar espontaneamente é o verdadeiro indício de maturidade do ser humano, pensar diferente e se transformar de forma voluntária, por você, ponto final. No exercício da ação egocêntrica de centrar-se em si e nessa constante evolução, sem querer parecer contraditória, além de você mesmo, todos que estão ao seu redor ganham em consequência desse processo.

Na linguagem popular (da qual gosto muito), tem um dito maravilhoso que é: gente feliz não enche o saco. E para complementar, outro que, a meu ver, resume as relações humanas: cada um dá o que tem dentro de si. Podia fechar meu texto aqui, pois é fato irrefutável que as nossas relações são um reflexo do nosso interior e do que temos a oferecer ao outro. Muitas vezes temos tantas coisas boas, mas não ressignificamos o nosso entendimento ao ponto de percebê-las e utilizá-las da melhor forma.

Não vou discordar da teoria coach quando falam que o sofrimento pode ressignificar, pois as Paraolimpíadas são um excelente exemplo para isso. Quantos atletas incríveis “nasceram” após um grave acidente ou após o trauma de saber da amputação de um membro ou algo similar. A ressignificação nesses casos foi explícita e transformadora.
Mas gostaria de ver o assunto de modo mais amplo, a ressignificação natural da vida, vinda sorrateiramente, juntinho e colada com a experiência. Nela nada é muito impactante nem obrigatório ao ponto de ser a única escolha. É opcional e tranquila, como algo que podemos acolher ou não. Afinal, perceber a amplitude da vida pede disponibilidade, vontade e coragem, pois mudar não é fácil, mesmo que seja “apenas” o modo como enxergamos a nossa vida.

Independente do momento vivido ou da idade cronológica, pensar que opcionalmente podemos nos reinventar é a verdadeira beleza da vida, sem motivos, sem nada especial, por nós mesmos (como se isso fosse pouco). Mudar por você mesmo, se sentir com esse poder, com o direcionamento da sua vida, com o entendimento de quem sabe que ao escolher um caminho, deixará de percorrer o outro, mas tudo certo, “de boas”. Saber como é incrível essa força que nos move e da qual podemos indicar o caminho que nos faz feliz, sem medos e com vontade.
Estar vivo é fato, viver e ressignificar a felicidade, é meta. Meta alcançável e possível, e dentre as variáveis, o nosso entendimento do que queremos para a nossa vida está no nosso controle. O que sair fora do planejado, fazemos do limão uma limonada (ou caipirinha) e seguimos em frente. Não se dispor a viver e não se arriscar é mais seguro, mas é insosso, igual água de chuchu, é isso que “tu quer pra tu”?

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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