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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

A importância da Educação Financeira no Brasil

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publicado em 29/08/2021 às 08h10
atualizado em 30/08/2021 às 04h51
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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento nominal mensal domicilar per capita (RDPC) do Brasil foi de R$ 1.380 em 2020, sendo o maior no Distrito Federal, com R$ 2.475 e o menor no Maranhão, com R$ 676. Já em relação à aposentadoria dos brasileiros, 2 a cada 3 se aposentam com um salário mínimo, hoje, em R$ 1.100 por mês. Isso mostra que, embora tenham sido tantos anos de contribuição previdenciária, a população brasileira está distante de atingir a independência financeira, e não deve esperar que a aposentadoria traga segurança no futuro.

É importante ingressar no mercado financeiro no Brasil, é um meio de trabalhar a favor de um futuro mais seguro, com estabilidade e conforto. Nesse artigo iremos abordar a importância dos jovens brasileiros começarem a estudar Educação Financeira, a planejar, a investir e não ingressar na lista dos inadimplentes, que atualmente, registrou um recorde de 69,7% dos brasileiros que tinham dívidas em junho de 2021, segundo a Confederação Nacional do Comércio e Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Conquistar a independência financeira não diz respeito à ambição nem o amor excessivo ao dinheiro. É sobre o que ela pode proporcionar nos dias atuais, liberdade, conforto e segurança. No entanto, essa realidade está distante da maior parte dos brasileiros. Com um RDPC baixo e, consequentemente, uma aposentadoria baixa, a população não pode esperar uma estabilidade financeira tranquila, é necessário encontrar outro caminho.

A maior parcela da população nunca se interessou pelo tema de investimentos, um assunto que deveria ser fundamental desde a juventude. Uma pesquisa feita pelo Google em 2020 mostra os principais motivos das pessoas não investirem. Entre eles, destacamos a dificuldade da linguagem utilizada, a concepção que é necessário ter muito dinheiro para começar, a insegurança, a falta de suporte, entre outros. Essas opiniões se baseiam em especulações criadas que não remetem a realidade do mercado financeiro, mas, principalmente, a falta de conhecimento e de Educação Financeira.

O Brasil está no 74° lugar entre 144 países no ranking de Educação Financeira, de acordo a Pesquisa Global de Educação Financeira da Divisão de Ratings e Pesquisas da Standard & Poor’s (S&P). A Educação Financeira ainda não está presente nas escolas de ensino básico em todo o País. “No ensino fundamental, a Educação Financeira já é lei desde dezembro de 2017”, segundo a Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF Brasil). Todavia, recentemente, o Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou o Programa Educação Financeira na Escola, no objetivo de oferecer a 500 mil professores no Brasil cursos gratuitos de formação em Educação Financeira para prepará-los por meio de plataforma de Ensino a Distância (EaD) específica e em três anos atender 25 milhões de estudantes brasileiros da rede pública e privada de ensino básico.

A falta de Educação Financeira no Brasil impacta a vida dos jovens brasileiros no mercado financeiro e, por consequência, a terem péssimos hábitos como a falta de perspectiva para o futuro e o endividamento desde cedo. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) mostra que 75% dos jovens entre 18 e 24 anos não estão se preparando para a futura aposentadoria e 37% já tiveram seu nome negativado.

O dinheiro está presente na vida das pessoas desde cedo, portanto, a Educação Financeira nas escolas públicas e privadas mostrará a importância de ter um consumo consciente, de economizar e investir a longo prazo. Esta preocupante realidade de endividamento irá mudar com o ensino de finanças e planejamento nas salas de aulas, com o Programa Educação Financeira na Escola do MEC.

Entre a parte da população que já possui o hábito de juntar dinheiro, temos que a maioria opta por guardar na poupança. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), 88% dos brasileiros aplicam seu dinheiro na poupança. Entre todas as opções de investimentos, a caderneta de poupança é a menos rentável. Atualmente, rendendo 70% da taxa Selic (5,25% ao ano), a poupança distribui seus rendimentos quando se completa 30 dias da permanência do valor. Caso seja retirado antes, o rendimento é perdido. E com a inflação acumulada nos últimos 12 meses em 8,99%, o lucro real passa a ser negativo em 3,74%.

A maior parte da população opta pela poupança, mas, com a redução da taxa Selic de 14,25% ao ano em agosto de 2016 para 5,25% ao ano em agosto de 2021, o Brasil está tendo um grande avanço de ingressantes na Brasil, Bolsa, Balcão (B3), com sede em São Paulo. Em julho de 2019, a B3 atingiu 1 milhão de investidores e em maio de 2020 o número dobrou e atingiu 2 milhões de investidores. Já comparando o primeiro semestre de 2020 e 2021, o número de contas subiu 43%. No entanto, os 3,8 milhões de investidores representam apenas 1,78% dos 213,3 milhões de habitantes no Brasil (IBGE, 2021). Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, a terceira nação mais populosa do planeta e o quarto país mais extenso da Terra, a média de habitantes imersos no mercado financeiro representa cerca de 65%.

Existem diversas categorias de investimentos, a escolha deles varia do objetivo de cada investidor. Risco, volatilidade, liquidez, retorno e tempo são alguns dos parâmetros para a escolha de um investimento. O mercado financeiro se divide entre renda fixa e renda variável.

A renda fixa é um investimento realizado diretamente com títulos públicos e privados. Essa modalidade de investimentos permite que a pessoa empreste dinheiro ao emissor do papel (bancos, empresas, governo e outros) e receba acrescido de juros e em um prazo pré-estabelecido na hora da aplicação.

Ela possui várias opções de investimentos, entre os mais conhecidos estão: o Tesouro Direto (TD), é um programa do Tesouro Nacional (TN) para a comercialização de títulos públicos federais, sendo considerado o mais seguro, pois se trata de uma negociação direcionada ao Governo Federal para as atividades públicas; o Certificado de Depósito Bancário (CDB), é uma aplicação para os bancos com o objetivo de captação de recursos para financiar suas atividades; a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), são investimentos nos setores imobiliário e agrobusiness sendo emitidos pelos bancos e instituições financeiras; e os Debêntures, estão direcionados a captação de recursos para empresas privadas.

Os CDBs, LCIs e LCAs são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura a restituição do patrimônio investido acrescido dos juros, na hipótese de incapacidade de pagamento da instituição financeira, de até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou pelo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para cada instituição financeira que investir, com um teto de até 1 milhão de reais. A presença do FGC garante mais tranquilidade aos atuais e futuros investidores.

A renda variável é uma categoria de investimentos onde não é possível prever quanto o dinheiro irá render. O rendimento é determinado pela oscilação do preço de compra e venda dos ativos financeiros, o que pode ser maior, igual ou menor que o valor investido. Por isso, eles são considerados de maior risco, no entanto, podem trazer um retorno maior em menos tempo.

Assim como a renda fixa, a renda variável possui muitas opções para investir, as mais comuns são: as Ações, a menor parte do capital de uma empresa negociada na B3 com o objetivo de gerar capital para a organização investir, quem compra uma ação se torna sócio da empresa e tem direito aos lucros dela e temos as ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN); Fundo de Investimento Imobiliário (FII), é a união de investidores para a aplicação em conjunto no mercado imobiliário através de um gestor, os rendimentos dessa aplicação são distribuídos mensalmente para os investidores; Fundo de Investimento (FI), entre outros.

A renda fixa é um investimento de baixo risco e com menor valorização por conta de sua baixa volatilidade, maior segurança e liquidez, sendo indicado para perfis conservadores. Ressaltamos que a construção de uma reserva de emergência, feita na renda fixa, é fundamental e representa uma parte da carteira do investidor. Já a renda variável possui uma volatilidade muito superior, ela é indicada para investimentos a longo prazo, pois tem o papel de multiplicação e valorização do patrimônio e é mais indicado para investidores arrojados e agressivos.

Já o investidor moderado tem a tendência de balancear ambas as categorias e investe em ativos financeiros, por exemplo, ligados ao agronegócio, um setor que participou com 26,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020, como a LCA, o Certificado de Recebível Agrícola (CRA) e o Fundo Imobiliário do Agronegócio (FIA). Com mais investimentos em LCAs, CRAs e FIAs, a projeção é que o agronegócio ultrapasse os 30% de participação do PIB brasileiro em 2021, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Independente do perfil do investidor no Brasil, é necessário possuir diversidade de investimentos, seja na renda fixa ou variável em sua carteira. Diversificar fará com que, em caso de perdas, uma parcela menor seja comprometida, pois o dinheiro está distribuído em diferentes ativos financeiros. Mas, sobretudo, o maior minimizador de riscos é o conhecimento.

Investir é uma ferramenta essencial para crescer o patrimônio pessoal, além de aumentar a renda per capita do País. Com conhecimento é possível atingir a independência financeira, através de investimentos. Atualmente é mais fácil ter acesso à Educação Financeira, com o avanço na tecnologia, é possível encontrar muitos profissionais que ensinam sobre temas de investimentos em uma linguagem simples e descomplicada, através da internet. A busca pelo conhecimento é o melhor caminho para alcançar a liberdade financeira e com ela a tranquilidade tão almejada.

Nota: O artigo foi elaborado a quatro mãos, pela estudante do Curso de Administração no UNIESP, Marina Ramos Ribeiro, no período diurno, em parceria com o professor de Economia e de Economia Brasileira no UNIESP, conselheiro suplente do CORECON-PB e colunista do Portal MaisPB, Paulo Galvão Júnior

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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