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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

Pequenos prazeres

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publicado em 05/06/2021 às 08h15
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Estou caminhando para os 80 anos. Já vivi muitas aventuras, conheci metade do mundo e posso afirmar com segurança que durante muito tempo ignorei muitos prazeres que agora usufruo. Um exemplo simples é o banho. Quando pequenos, eu e meus irmãos detestávamos tomar banho frio de madrugada para irmos à escola.
Lembro que num determinado dia um dos meus irmãos recusou-se a tomar banho e escovar os dentes porque estava de férias. Não colou. Mas passados tantos anos, com o advento da água quente, o banho tornou-se para mim um prazer. Principalmente se estiver usando um sabonete novo, seja Granado ou Phebo ( tem que ser do marrom). Sabonete novo, mas toalha já “amaciada”. Toalha nova é péssima. Dá vontade de contratar alguém para se enxugar nas toalhas novas nos dez primeiros banhos e só então usá-la. De costume tomo três banhos por dia, mas cuido para molhar o corpo, desligar a água, ensaboar-me e só ao final religar a água. Adquiri essa consciência quando vi na Europa muita gente lavando as mãos dessa maneira.
Outro prazer simples que a idade me trouxe é o habito de conversar. Qualquer assunto com qualquer pessoa. Como eu e meu colega escritor Ariano temos atração por doidos, vez por outra escuto coisas delirantes.
Cultivo essa arte da conversa porque descobri que os muito idosos terminam isolando-se em casa, às vezes abandonados pelos filhos e netos, e muito provavelmente morrem por falta de conversar. Os médicos darão diagnósticos incríveis, porém é sim por falta de ter com quem conversar que muito velho partiu desta para a melhor. Perdi a vergonha de cumprimentar todo mundo.
Nas minhas caminhadas matinais dou bom dia a quem passa, e é um bom dia tipo General Mourão. Se não respondem eu logo emendo: “- Que pessoa mal-educada”. Mas digo isso pelas costas, né? Por várias vezes os que respondem o cumprimento tornam-se amigos nas próximas caminhadas.
Prazer também é não ir ou não fazer. Por exemplo, recebo um convite para ir a uma solenidade, daquelas bem disputadas pelos poderosos. No dia aprazado separo a roupa, tomo banho, sento um pouco na poltrona e quando dou por mim estou usando minha bermuda bem fubenta e assistindo um Netflix a bordo de uma taça de vinho enquanto as “autoridades” espremem-se para verem e serem vistas, esperando um uísque ralo num calor infernal.
Ser feliz é tão fácil.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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