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ação da PM no Recife

Homem que perdeu visão não participava de ato

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publicado em 31/05/2021 às 08h10
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Foto: Reuters

Dois homens que perderam a visão de um olho após serem atingidos por tiros de bala de borracha disparados durante as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29) no Recife. O protesto na capital pernambucana foi encerrado com bombas de gás lacrimogênio, tiros de balas de borracha e correria nas ruas do centro. O governador Paulo Câmara (PSB) afastou os policiais envolvidos na operação e abriu uma investigação para apurar o caso.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, e o arrumador Jonas Correia de França, 29, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares. Ambos tiveram lesões permanentes. Daniel, no olho esquerdo, e Jonas, no olho direito.

Campelo trabalha adesivando táxis e estava no centro do Recife para comprar material, mas acabou sendo atingido por um dos disparos. Segundo familiares, ele foi encaminhado para o Hospital da Restauração, está sob observação e deve ser operado nas próximas horas. Médicos informaram que ele perdeu a visão do olho esquerdo.

Filha de Daniel, Daniela de Sena, 28, diz que o pai foi ao local a trabalho e não participava das manifestações. “Ele tinha ido ao centro da cidade comprar material, nem sabia que tinha protesto por lá. Mas acabou sendo vítima dessa tragédia”, afirma.

A vereadora Liana Cirne (PT) foi atacada com gás de pimenta ao tentar negociar com policiais que estavam em uma viatura. Ela foi atendida em uma unidade de pronto-atendimento e registrou boletim de ocorrência em uma delegacia.

Movimento – De acordo com os organizadores, o ato contra Bolsonaro no Recife acontecia de forma pacífica e mantendo o distanciamento entre as pessoas. Contudo, os manifestantes foram surpreendidos por uma guarnição da tropa de choque da Polícia Militar bloqueando a rua já no final do trajeto.

Liderados por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos de esquerda, os atos contra Jair Bolsonaro reuniram manifestantes em várias cidades do país, incluindo todas as capitais.

Em nota, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco cobrou uma apuração rigorosa e punição por parte do Governo do Estado de Pernambuco dos responsáveis pela atuação da PM.

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