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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

Acorda, Diva

Comentários:
publicado em 17/04/2021 às 07h59
atualizado em 17/04/2021 às 06h28
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Vem ver a lua. Vem ouvir Villa-Lobos comigo.

Vem caminhar sem mapa pelas amabilidades que construímos “e que o fazemos somente ao caminhar por elas”, como escreveu o escritor polonês Zygmunt Bauman.

Acorda Diva vem ver o dia.

Nós, em separado e simultâneo, contempladores sensíveis da sua companhia, estamos exauridos do torvelinho que vai arrastando o mundo, e te esperamos com mais alegria, mais água no feijão.

Vem Diva, vamos conversar a ocasião, vamos dar gargalhadas das coisas que faltam para continuarmos como antes. Vem logo, que precisamos fechar aquela conversa sobre Sartre e Simone de Beauvoir.

Vem Diva, vem nos ajudar a sair desse apocalipse.

Acorda Diva, já faz tempo desse tempo que nos importa prosseguir, até porque só o escandir do tempo, só você com a gente, para nos tirarmos desse confronto.

Vem Diva, veloz de fins e de recomeços, iluminados estamos para festejar você, indagando coisas sobre acontecimentos, desse tempo em que você dorme – dos livros que lemos, da música e de seu fiel escudeiro, o cão Atlas.

Acorda Diva e nos tira dessa solidão irredutível.

Acorda Diva, vem me dizer de novo que você encontrava sempre outros livros nos livros que lia. Vem logo que eu quero te contar uma novidade.

Vem Diva. Lembra quando te falei que o Pessoa nunca foi novidade para mim, já o Paz.. (Octavio). Falamos naquele fim de tarde sobre “O Desconhecido de Si Mesmo”, do encantamento, lembra?

Estamos todos com saudade de você.

Me agrada muito sua presença, pela poesia do que a poesia em si. Quanto ao Pessoa, Diva, é mesmo o poeta de minha alma, com o meu adorado João Cabral de Melo Neto.

Acorda Diva, vem ver a lua.

Acorda Diva vamos tomar um café.

Acordar para ver.

Acorda para trabalhar.

Acorda, Diva. Acorda, tira o chapéu o põe o sol na cabeça.

Kapetadas
1- Não é por nada não, é por tudo.
2 – Não vejo a hora de te encontrar pra gente não ficar mexendo no celular.
4 – Som caixa: “Quer durar, quer crescer, gente quer luzir”, Caetano Veloso

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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