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Magistrado, colaborador do Diário de Pernambuco, leitor semiótico, vivendo num mundo de discos, livros e livre pensar. E-mail: adhailton@globo.com

Uma etapa superada

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publicado em 04/03/2021 às 08h03
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Fui acometido da doença que está assombrando o mundo, contaminado pelo vírus da Covid 19 e posso assegurar que a coisa não é fácil. Eu não cheguei a ser internado, mas fui a um hospital particular credenciado pelo plano de saúde, e pude constatar que a situação para quem precisa de leitos de Uti está cada vez mais complicada. O que entristece e até revolta é que parte da população ainda está se descuidando, por irresponsabilidade ou por não acreditar na pandemia. A maior parcela dessa população irresponsável é composta pelos jovens, talvez crentes de que são imunes e que a morte é coisa de velho.

Quando você vê esposa e filhos também padecendo desse mal a sensação de impotência se aguça e nos perguntamos: por que a vacina ainda não chegou para todos? O critério utilizado está muito lento e mais uma vez desacreditamos no poder público. Cheguei ao hospital com quarenta por cento do pulmão comprometido, arfante, e mesmo assim disseram que podia voltar para casa e continuar com a medicação prescrita: ivermectina, antibiótico, vitamina C e pílulas de zinco. O vírus penetrou meu corpo e ainda não sabemos que sequelas ficarão. Um cunhado está em situação mais comprometedora, internado na Uti, carecendo de atenção diuturna. Vemos os profissionais da saúde exaustos, outros fenecendo. O que nos resta fazer, senão seguir as recomendações das autoridades de saúde?

Com o distanciamento social em decorrência do tratamento da doença vemos a solidariedade de quem realmente se preocupa com você; uns ligam, outros enviam mensagem; alguns formam grupos de orações; muitos sabem de sua convalescença e ignoram, pois para esses se não for somente festa e alegria promovida em nossa casa, não querem saber de solidariedade. Mas essas atitudes são por todos conhecidas, não estou descobrindo a roda, apenas constatando um comportamento do ser humano, seja no círculo de amizades ou no trabalho, gente simpática que lhe procura quando tem interesse, riso de ponta a ponta, palavras dóceis e, uma vez almejado seu objetivo, você pouco importa.

Esse depoimento não é um lamento tampouco um libelo contra as pessoas, pois vamos continuar acreditando em gente de bom coração e eleger a saúde como o bem maior de uma vida plena e digna de ser vivida.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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