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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

As expansões e retrações econômicas no Brasil

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publicado em 01/01/2020 às 11h29
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2021 já começou! Um novo ano repleto de novas oportunidades. Serão 365 dias para promover uma nova expansão econômica no Brasil. Serão 12 meses para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

O ano novo começou, portanto, precisamos ter coragem de enfrentar a conjuntura econômica do emergente Brasil. É preciso lembrar as expansões e retrações econômicas no Brasil entre 2011 e 2020. A taxa de crescimento do PIB brasileiro foi de 4,0% em 2011. No ano seguinte, a segunda expansão econômica foi de 1,9% em 2012. A economia brasileira registrava a terceira expansão econômica de 3,0% em 2013. Posteriormente, a menor expansão econômica de apenas 0,5% em 2014. No biênio 2015-2016 ocorreram duas retrações econômicas, de 3,5% em 2015 e de 3,3% em 2016, respectivamente, conforme os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No triênio 2017-2018-2019 ocorreram três expansões econômicas na economia brasileira, o PIB cresceu 1,3% em 2017, 1,3% em 2018 e 1,1% em 2019 (IBGE), respectivamente. Entre 2011 e 2020, a taxa média de crescimento econômico do Brasil será de 0,2% ao ano, se confirmada a previsão de uma retração econômica de 4,4% em 2020 do Banco Central (BC). Em outras palavras, um pífio crescimento econômico nos últimos 10 anos.

O decênio compreendido entre 2011 e 2020 é a nova década perdida no Brasil, a terceira década perdida e o pior desempenho econômico nos últimos 120 anos. Ressaltamos que entre 1971 e 2020, foram três décadas perdidas em cinco décadas consecutivas. A taxa média real do crescimento do PIB brasileiro foi de 8,6% ao ano entre 1971 e 1980 (IBGE). Na década perdida dos anos 80, entre 1981 e 1990, a taxa de crescimento anual médio do PIB foi de 1,6% ao ano (IBGE). Já na década perdida dos anos 90, entre 1991 e 2000, a variação média anual do PIB brasileiro foi de 2,6% ao ano (IBGE). Entre 2001 e 2010, a taxa média de crescimento da economia brasileira foi de 3,7% ao ano (IGBE).

É possível evitar uma nova década perdida no Brasil? Sim! Precisamos trabalhar mais e melhor para gerar uma nova expansão econômica no ano de 2021 e ajudar o País a crescer robustamente até 2030. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em outubro de 2020, eram 7,6 milhões de pessoas em home office no País, em plena pandemia da COVID-19. Hoje, aponto entre as principais vantagens do home office a não disseminação do novo coronavírus, a maior proximidade com a família, a redução dos custos de transporte e de alimentação fora do lar, a economia em compras de roupas, calçados, além das reuniões online, das aulas remotas e do baixo consumo de papel.

O Acordo de Paris, de 12 de dezembro de 2015, entre 195 países, inclusive o Brasil, visa conter o aquecimento global e promover o desenvolvimento sustentável. O baixo consumo de papel em home office é uma excelente contribuição para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Os eBooks reduzem também as emissões de GEE. O Brasil é o sexto maior emissor de GEE do planeta, conforme o World Resources Institute (WRI). O aquecimento global é um dos maiores desafios da humanidade no século XXI, logo, precisamos proteger as florestas. Vale lembrar que as árvores absorvem o gás carbônico e liberam o oxigênio na atmosfera, tão fundamental para a humanidade.

Como evitar uma quarta década perdida no Brasil? Necessitamos investir mais em economia verde para uma expansão econômica nas cinco regiões do País no decênio 2021-2030. O Brasil é uma economia de mercado emergente, que requer melhores práticas ambientais, sociais e de governança. O conceituado índice ESG (Environmental, Social and Governance) desde 2006 avalia as práticas empresariais e a preocupação e atuação das empresas com questões sociais como a segurança do trabalho e ambientais como as mudanças climáticas. Uma das variáveis do Ambiental é o controle da emissão de GEE. Do Social é a saúde dos funcionários. E da Governança é a remuneração justa.

Nos mercados financeiros, em especial na NASDAQ e na Bolsa, Brasil, Balcão (B3), cresce o interesse por investimentos sustentáveis em empresas que seguem os princípios ESG (em português ASG: Ambiental, Social e Governança). O relatório de sustentabilidade é uma excelente alternativa para as empresas de sociedade anônima e as que estão mudando o Brasil e o mundo são as companhias abertas com melhores práticas ESG, como por exemplos, a empresa brasileira Cosan, que produz e vende açúcar e etanol e a empresa americana Tesla, que produz e vende automóveis elétricos e painéis solares.

A economia verde avança em plena Indústria 4.0, que torna os processos de produção mais eficientes e autônomos, além de contínuas inovações tecnológicas, mas, infelizmente, tende a substituir o trabalho humano por máquinas e robôs. A economia verde tem dez setores para investimentos prioritários no Brasil, destacamos a importância da energia renovável, agricultura, turismo, transporte e pesca no crescimento econômico com inclusão social e sem degradação ambiental na próxima década.

O Brasil é um dos países mais afetados na saúde e na economia com a pandemia do novo coronavírus. Infelizmente, o número de pessoas mortas pela COVID-19 já passou dos 193 mil em todo o País (JOHNS HOPKINS). O desemprego é elevado no Brasil, com 14,1 milhões de pessoas desempregadas (IBGE). É grave a situação socioeconômica de 68,1 milhões de pessoas sem receber o Auxílio Emergencial (superior a população da França), sem condições de pagar cesta básica, contas de água e de energia, aluguel ou comprar remédios, fraldas, botijão de gás de cozinha. A transferência direta e temporária de benefício financeiro pela CEF encerrou para 19,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família, 10,5 milhões do Cadastro Único e 38,1 milhões de trabalhadores informais. No continental Brasil existe um enorme abismo entre os mais pobres e os mais ricos.

O Brasil é um país desigual e alternou períodos de expansão e retração, sendo sete expansões e três retrações econômicas entre 2011 e 2020. O PIB do Brasil registrará uma retração de 4,40% em 2020 e uma expansão de 3,49% em 2021, conforme as previsões do último Relatório de Mercado Focus de 2020 do BC. Mas, prepare-se para o risco real de uma nova retração em 2021 na economia brasileira com a segunda onda da COVID-19. O uso de vacinas contra o SARS-CoV-2 no Brasil é uma prioridade máxima. A vacinação é fundamental à saúde, é a melhor proteção na atualidade, salva vidas e muda as perspectivas. Desde março de 2020 no uso de máscara e de higienização das mãos e agora atento ao calendário nacional de vacinação contra a COVID-19. “Na fase 4, deverão ser vacinados professores do nível básico ao superior”, segundo o Ministério da Saúde.

Não podemos repetir os mesmos erros dos últimos 50 anos que levaram o Brasil a três décadas perdidas. Um somatório de equívocos que provocaram o aumento do desemprego, pobreza, desigualdade e violência. Não precisamos de 92 tributos. Necessitamos de grandes investimentos em educação de qualidade (ODS 4) para o futuro ingresso do Brasil no seleto grupo dos países desenvolvidos. Enfim, para lembrar do economista Celso Furtado: (foto) “Só há desenvolvimento quando o homem se desenvolve”.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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