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REVELA DIRETOR

Filme: ‘Crô’, com Marcelo Serrado, terá pegada dos irmãos Coen

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publicado em 06/05/2013 às 15h56
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 Foi anunciado, nesta segunda-feira (6), o filme "Crô", inspirado no personagem Crodoaldo Valério, da novela "Fina Estampa". O evento para anúncio da produção, estrelada por Marcelo Serrado, aconteceu em um hotel em São Paulo.

Quem dirige é Bruno Barreto, e o roteiro leva a assinatura do mesmo Aguinaldo Silva que foi autor de "Fina estampa", novela das 21h na qual o personagem do novo filme foi inicialmente apresentado. "Este filme nasce de um grande prazer que tenho de fazer comédia. Não é a primeira comédia que faço", afirma o diretor, citando trabalhos seus como "Dona flor e seus dois maridos" e "O casamento de Romeu e Julieta".

Ele observa que não optou pelo gênero "porque a onda do momento é comédia". "Essa é uma comédia diferente, onde a gag visual vai ser importante. Não é só piada, no texto.Tem uma coisa na pegada dos irmãos Coen, ‘Roda da fortuna’. Tem um pouco dos filmes do Tim Burton também", exemplifica Barreto. Em seguida, citou referências brasileiras como "a coisa da chanchada brasileira, Oscarito, Grande Ottelo". A principal inspiração, no entanto, repetida algumas vezes no evento, é Jerry Lewis, preferência compartilhada com Agnaldo Silva, segundo o cineasta.

Durante a entrevista coletiva, Serrado recorreu ainda a "Santiago", documentário de João Moreira Salles sobre o mordomo de sua família, serviu de referência. "O Santiago me ajudou muito na composição do personagem. Até no filme a gente faz uma homenagem a ele", comentou o ator. Ele também observou que as atrizes do novo filme têm seus próprios auxiliares. "Eu estava reparando que todas as nossas divas do filme, como a Gaby Amarantos, a Ivete Sangalo, todas têm o seu Crô, um Crôzinho que cuida delas (risos)."

O ator foi perguntado sobre a dificuldade que teria tido para se livrar do personagem após o término das gravações de "Fina estampa". Antes que ele pudesse responder, Carolina Ferraz interfere: "Mentira, ela nunca perdeu [o gestual de Crô]!". Serrado, então, complementa: "Quando acabou [a novela], fui fazer boxe, para a mão [voltar à posição normal]… A mão ficava mole (risos)".

Serrado comentou que se surpreende com o apelo que Crô têm junto às crianças. "Para mim, é uma coisa incrível. Passou de qualquer tipo de preconceito. Ele tinha um pouco de Bart Simpson, de Johnny Bravo, de desenho animado", citou. Bruno Barreto completou citando Chaplin. O diretor comentou também a orientação sexual do personagem. "Acho que está claríssima a sexualidade dele, que é homossexual. Não tem beijo gay, nenhuma cena de sexo, mas está claro que ele transa com o namorado."

Em seguida, brinca que vai virar "o cineasta gay do ano", porque seu filme anterior, "Você nunca disse eu te amo" (originalmente chamado de "Flores raras"), mostra o romance entre a poeta Elizabeth Bishop e a urbanista brasileira Lota Soares. Os papéis são, respectivamente, de Miranda Otto e Glória Pires. "Crô não tem beijo gay porque não é necessário", prossegue Barreto. "O filme não é sobre isso." Para ele, o tema central acaba sendo "poder e submissão". "A vida é feita disso, todo mundo precisa ser abusado e usar alguém."

A trama de "Crô" começa com o personagem tendo herdado "uma fortuna de sua ex-patroa falecida". Mas o personagem "está cansado de ser milionário e não fazer nada", prossegue a sinopse oficial: "Ele tenta ser cantor, estilista e cabeleireiro, mas fracassa em todas as aspirações". A partir daí, o protagonista enfrenta uma crise de depressão, tem pesadelos com a própria mãe e então conclui: "seu destino é servir, ser submisso", razão pela qual opta por regressa à antiga ocupação, mordomo.

Do elenco de "Crô", fazem parte ainda Alexandre Nero, Carlos Machado, Nataly Cabanas, Urzula Canaviri, Carolina Ferraz e Milhem Cortaz. Ivete Sangalo faz a mãe do protagonista e Gaby Amarantos e Ana Maria Braga têm participações. A previsão é que as filmagens terminem em 8 de junho e a estreia aconteça em novembro.

A comédia é uma produção da LC Barreto e coprodução da Globo Filmes. As distribuidoras são Paris Filmes e Downtown Filmes. Bruno Barreto tem em seu currículo longas como "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), "Última parada 174" (2008), "O que é isso companheiro" (1997) e "Vooando Alto" (2003).

G1

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