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tensão na espanha

Confrontos na Catalunha deixam mais de 450 feridos

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publicado em 01/10/2017 às 15h05
atualizado em 02/10/2017 às 06h16
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Francisco Seco/Associated Press

O plebiscito separatista catalão começou na manhã deste domingo (1°) com as imagens que o governo espanhol tanto temia: colégios eleitorais invadidos pela polícia, anciãos retirados à força e milhares de pessoas votando embaixo da chuva.

Segundo o Departamento de Saúde da Catalunha, foram atendidas 465 pessoas feridas nos embates com a polícia, que chegou a usar balas de borracha contra manifestantes. Apenas na capital, Barcelona, foram 216.

Em uma rede social, o governo catalão pediu que aqueles que tivessem sofrido ferimentos procurassem a polícia regional, chamada de Mossos d’Esquadra, para registrar denúncias.

O Ministério do Interior espanhol informou que ao menos 11 agentes policiais foram feridos de maneira leve.

Um vídeo registrando a polícia destruindo as portas de um colégio eleitoral causou especial indignação, assim como cidadãos jogados ao chão pelas forças de segurança. Na véspera, um cartaz de “más democracia” fora destruído por manifestantes contrários ao voto.

O governo regional catalão, que já goza de alguma autonomia, convocou este voto para ter sua independência completa da Espanha. As autoridades em Madri, porém, afirmam que a consulta é ilegal e, portanto, sem valor.

Ao meio-dia (às 7h em Brasília), 73% das urnas estavam abertas, totalizando 4.661. Mas a polícia havia interditado outras tantas, e havia expectativa em todos os colégios da chegada das forças de segurança, criando um ambiente de tensão.

O voto, apesar da preocupação, era feito de maneira festiva. Em uma das escolas visitadas pela Folha eleitores haviam criado uma espécie de corredor –batendo palmas a quem saía das urnas, cantando “ele votou! ele votou!”.

“Isso para mim é liberdade”, diz Maria Oliva, 60. “Vivi a época franquista, e me sinto como era 40 anos atrás.”

Ela se refere à brutal ditadura do general Francisco Franco (1939-1975), período durante o qual o movimento separatista catalão foi reprimido. A língua dessa região, aparentada do francês, chegou a ser proibida.

“Não é sobre votar ‘sim’ ou ‘não’. É sobre votar”, afirma. “Hoje tenho vergonha de ser espanhola, e não quero mais ser. Se pudesse, seria apenas catalã.”

O Parlamento catalão ameaça declarar sua independência unilateralmente em até 48 horas depois do voto. O governo central em Madri avisa que não vai reconhecer o gesto. O cenário dos próximos dias é incerto.

Mas para Pau Freixa, 41, o plebiscito de domingo não é sobre declarar ou não a separação imediata. É sobre mostrar o apoio ao projeto de um Estado próprio, diz o professor de literatura eslava.

“É importante que as pessoas vejam quão desesperados estamos”, diz. Freixa e outras 30 pessoas dormiram em uma escola de Barcelona para impedir que a polícia fechasse o colégio eleitoral. A noite foi longa, embaixo da chuva. “Não temos um interlocutor em Madri.”

Folha de São Paulo 

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