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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

A força do Folia de Rua e o cansaço do voo das Muriçocas

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publicado em 28/02/2017 às 10h18
atualizado em 28/02/2017 às 10h49

Frente a Frente, dirigentes de blocos divergem em polêmicas, mas convergem na reformulação

Pela primeira vez, os investimentos privados superaram os recursos públicos no Folia de Rua, prévia carnavalesca de João Pessoa famosa em todo o Brasil.

Mesmo longe de capitalizar o ideal, esse é um indicativo de superação do evento, ainda carente de maior profissionalização na captação de recursos privados e sofrido pela ausência de aporte, ao menos simbólico, do Estado.

No geral, e com o suporte de R$ 250 mil da Prefeitura, o Folia de Rua conseguiu se manter de pé. A abertura, com show apoteótico de Dudu Nobre, no Ponto de Cem Réis, e as Virgens de Tambaú fazendo o dever de casa e levando a massa para rua.

Mas há a constatação de um ponto fora da curva. O vôo das Muriçocas do Miramar, a “mãe” de todo esse movimento, já não foi o mesmo.

O bloco, que há anos saiu da Associação Folia de Rua e tem completa autonomia, dá sinais de cansaço na Avenida que podem ser explicados por questões de gestão fora dela. Houve certa frustração no quesito atrações.

Aliás, o modelo inteiro da festa já é questionado por dirigentes de blocos. Isso ficou evidente durante o programa Frente a Frente, de ontem, Especial de Carnaval, na TV Arapuan.

Artistas e carnavalescos acham que chegou a fora de uma reformulação e de avançar em novos caminhos. Gente como Buda Lira, dos Cafuçus, Euclides Meneses, das Virgens, e Lis Albuquerque, cantor e compositor desde o início de tudo, fizeram a necessária autocrítica.

O que só é possível a partir de uma firme interlocução que possa unir todas as idéias, descontentamentos, discordâncias, queixas e alternativas num mesmo caldeirão.

Uma coisa é certa. O Folia de Rua, por tudo que representa, tem potencial cultural, social e comercial. O que lhe faz resistir ao tempo e as dificuldades e se perpetuar no calendário da Paraíba. Só essa constatação é suficiente para ser revisto e incentivado noutro patamar. Porque nem só de ‘folia’ vive a festa.

Testemunhas da história
Mestre Fuba, fundador das Muriçocas e entusiasta da festa há mais de três décadas, informou, em contato com a Coluna, que todos os governos anteriores ‘ajudaram’ na realização do Folia de Rua. Puxando pela memória, Buda Lira acha que em algum ano do Governo Cássio houve interrupção na cota de patrocínio.

BRASAS
*30 ou 25 anos? – No debate entre os carnavalescos na TV Arapuan, uma dúvida ficou esclarecida.

*Na real – O Folia de Rua, diferente do mote de marketing, tem na verdade 25 anos.

*Gancho – A organização do evento puxou os 30 anos das Virgens de Tambaú em forma de homenagem ao bloco mais antigo da Associação.

*Distorção – A estratégia é duramente criticada por Buda Lira, dos Cafuçus: “Não se pode deformar a história”.

*Sucesso – Show de imagens da TV Arapuan na transmissão em HD das Muriçocas e dos Cafuçus.

FALA CANDINHA!
Sensação de poder
Dona Candinha comentando folia e política:
– Prefeito no carnaval, Manoel Júnior foi picado pela muriçoca azul!

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Algum Governo tem a opção de se abster de fazer segurança de festa pública?

PINGO QUENTE
“A coisa é mais política que administrativa”. Do cantor Lis Albuquerque (foto) sobre a falta de parceria entre Estado e Prefeitura no patrocínio ao Folia de Rua.

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