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Lucas de Brito rebate repúdio da UFPB por ele ser contra ‘Puta Cultura’

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publicado em 03/05/2014 ás 13h21

O vereador de João Pessoa, Lucas de Brito (DEM), respondeu, neste sábado (3), às críticas do Centro de Referência em Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, que repudiou a sua atitude de se colocar contra convenio com da Prefeitura de João Pessoa com uma associação de prostitutas. O convênio estabelece a liberação de cerca de R$ 180 mil para que a entidade promova o evento ‘Puta Cultura’ que tem o objetivo de realizar palestras com suas associadas.

Leia a nota 

O Centro de Referência em Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba expressou seu veemente repúdio às minhas declarações sobre o
Projeto “Puta Cultura”. Retribuo com meu respeito à divergência de opinião esposada por aquele Centro, pois repudio apenas a intolerância –
hoje tão em voga no País – e a covardia dos que se escondem por trás do anonimato, ou deixam de manifestar livremente o que pensam a respeito
dos temas de interesse da sociedade.

Sob o argumento de que “a gritante situação de marginalização da mulher que vive do sexo no contexto socioeconômico brasileiro tende a se
perpetuar no tempo, caso o Congresso Nacional termine, mais uma vez, por não regulamentar a profissão da prostituta”, o CRDH/UFPB fez, através da
Nota, uma defesa pública do Projeto de Lei n. 4.211/2012, de autoria do Deputado JEAN WYLLYS, o qual, no inciso I do seu art. 2°, exclui do
conceito de exploração sexual a apropriação, por terceiro, de até 50% do rendimento de prestação de serviço sexual, além de legalizar casas de
prostituição com esse formato (parágrafo único do art. 3°).

Quer dizer, então, que ser referência em direitos humanos é defender a exploração do homem pelo homem, desde que essa exploração não passe de
50% do rendimento auferido? Ser referência em direitos humanos é ser conivente com a transformação em mercadoria do corpo do profissional do
sexo?

De maneira hipócrita, a Nota do CRDH/UFPB refere-se, vagamente, às “recentes conquistas do movimento feminista”, mas não informa que o
Coletivo Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT) posicionou-se, em dezembro de 2013, contra o referido projeto de lei. A
Secretária da Mulher Trabalhadora da Central, Rosane Silva, foi explícita: “O que precisamos é lutar por políticas públicas que tirem as
mulheres da condição de prostitutas”. Foi justamente o que defendi, de forma aberta e democrática, através de minhas declarações. Logo em
seguida, estas foram deturpadas por muitos que formaram seu conceito – e se apressaram em atirar-me pedras – sem sequer assistir ao meu
pronunciamento na Câmara Municipal, preocupados apenas em bajular os poderosos de plantão.

Todo Vereador tem legitimidade para buscar esclarecimentos – e foi o que fiz – a respeito dos convênios celebrados pela PMJP, especialmente
quando se trata da FUNJOPE, notabilizada por ter-se transformado numa grande agência promotora de eventos e festas, reeditando uma retrógrada
Política do Pão e Circo. A curiosidade inicial não me teria sido provocada, entretanto, se a PMJP, através das Secretarias de
Desenvolvimento Humano ou da Saúde, estivesse desenvolvendo políticas públicas de reinserção social em favor dos profissionais do sexo, ou se
o Projeto não tivesse sido batizado sob o nome de “Puta Cultura”.

De qualquer forma, uma vez revelado pela Presidente da APROS como serão gastos os recursos públicos objeto do Convênio (curso de informática
para as associadas, campanha de prevenção de DST’s e organização depeças teatrais para fins de conscientização), passo a ter a correta
compreensão de que se trata de uma iniciativa voltada para a inclusãosocial dos profissionais do sexo, e não para o favorecimento à
prostituição (crime tipificado no Código Penal).

Apesar de tudo, continuarei exercendo meu papel constitucional defiscalização do Poder Executivo Municipal, sem me deixar intimidar pela
postura autoritária de um Governo que não tolera a convivência democrática com a minoria no Parlamento.

João Pessoa, 03 de maio de 2014.

Lucas de Brito

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