João Pessoa, 27 de julho de 2014 | --ºC / --ºC
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Com benefícios que incluem salário de R$ 26,7 mil, apartamento e gastos ilimitados com telefone celular, 84,5% dos deputados federais que vão disputar as eleições de outubro querem permanecer na Câmara.
No total, 474 dos 513 deputados federais disputarão algum cargo eletivo –número equivalente a 92% dos atuais parlamentares que serão candidatos–, sendo que 401 vão tentar a reeleição.
Nesse cenário de campanha, o ritmo de trabalho, que já havia caído em junho devido à Copa do Mundo, vai diminuir ainda mais nos próximos meses.
Em agosto e setembro, a previsão é que os deputados federais trabalhem apenas duas semanas, com quatro dias de votação.
Em relação a 2010, houve uma queda no número de deputados que tentam a reeleição. No pleito daquele ano, foram 426 candidatos ao mesmo cargo, 25 a mais do que o número desta eleição.
Um dos parlamentares mais antigos que tentarão se manter na Câmara é o deputado Miro Teixeira (Pros-RJ), atualmente em seu décimo mandato. Ele diz que o Legislativo precisa de políticos dispostos a "manter a luta" em defesa do país.
"Estamos num momento em que a política foi desqualificada pelos próprios políticos. Por isso, precisamos organizar grupos que façam da Câmara um poder efetivamente de respeito ao povo brasileiro", afirmou.
MUDANÇA – Nesta eleição, 50 deputados tentarão concorrer a outros cargos eletivos: 10 disputarão governos estaduais, 21 postulam o cargo de vice-governador e 21 tentarão uma vaga no Senado Federal. Na Paraíba, Major Fábio (PROS) disputa o governo do estado e Nilda Godim (PMDB) é candidata a suplente de senador.
Uma das ausências na corrida eleitoral para a próxima legislatura será a do atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Deputado desde 1971, ele disputará o governo do Rio Grande do Norte.
O deputado Renan Filho (PMDB) também deixará a Câmara para disputar o governo de Alagoas. Já Márcio França (PSB) será candidato a vice na chapa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição.
Outros 15 deputados preferiram voltar para as suas bases eleitorais. Eles tentarão uma vaga em Assembleias
Legislativas.
É o caso da parlamentar Manuela D’Ávila (PC do B-RS), que pretende concorrer a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul.
DESISTENTES – Dos 513 deputados, 39 desistiram de se candidatar nesta eleição. O PMDB é o partido com o maior número de desistentes: nove.
É seguido pelo PSD, que tem seis deputados fora do pleito de outubro.
Inocêncio Oliveira (PR-PE) é um dos que desistiram da vida pública, depois de quatro décadas na Câmara dos Deputados.
Aos 75 anos e com problemas de saúde, ele disse a interlocutores estar "cansado" da função parlamentar e que está disposto a se dedicar à família.
Assim como Inocêncio, o deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) também desistiu de concorrer neste ano, depois que o PSB se coligou com o PT no Rio de Janeiro.
Crítico do governo Dilma Rousseff, o deputado disse não ter "condições políticas" para permanecer na vida pública. "Era uma incoerência aparecer me beneficiando de uma coligação com o PT", argumentou.
MaisPB com Folha
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