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Filho de prefeita paga R$ 50 mil à família de zelador morto e fica livre de processo

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publicado em 12/03/2026 ás 16h11
Maurílio Silva de Araújo foi atropelado e morto por Arthur José Rodrigues de Farias, filho da prefeita de Pilar

Wallison Bezerra, Gabriel Albuquerque e João Pedro Gomes – MaisPB

Arthur José Rodrigues de Farias, filho da prefeita de Pilar, Patrícia Farias, cumpriu, nesta quinta-feira (12), o Acordo de Não Persecução Penal e efetuou o pagamento de R$ 50 mil para a mãe do zelador Maurílio Silva de Araújo, morto após ter sido atropelado enquanto trabalhava na calçada de um prédio no bairro do Bessa, em João Pessoa. Com o depósito, o estudante está livre de responder criminalmente pela morte da vítima.

O jovem voltava de uma formatura de medicina dirigindo o carro da mãe no dia do acidente e logo depois do atropelamento foi preso com sinais de embriaguez. Em seguida, pagou uma fiança de R$ 15 mil e foi solto.

O acordo com a Justiça foi homologado no dia 4 de março pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano, da 2ª Vara Regional de Garantias. Além do pagamento de R$ 50 mil, a magistrada determinou o envio de dois salários mínimos para a Casa da Criança com Câncer. Arthur também cumpriu a determinação.

Por enquanto, ele segue apenas com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa até o período de seis meses e, consequentemente, está proibido de dirigir.

A sugestão para livrar Arthur do processo foi feita pela própria defesa do estudante. No decorrer do inquérito, os advogados apontaram que ele “preenchia os requisitos legais” e acostaram um laudo médico que indica que Farias é diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). A Justiça e o Ministério Público da Paraíba acataram.

O que diz a família do zelador

A família do zelador foi contra a proposta, apesar de não ter sido ouvida pela Justiça. Em contato com a reportagem do Portal MaisPB, uma sobrinha de Maurílio, que preferiu não revelar o nome, questionou os parâmetros usados.

“Pelo amor de Deus isso não existe. É muito injusto. R$ 50 mil não vai comprar a vida dele. Ele [Arthur] é um assassino e o vídeo [que registrou o atropelamento] diz tudo. Tem provas, muitas provas. E o Ministério Público não vê isso por que? Porque o rapaz tem dinheiro e meu tio é pobre. Se fosse ao contrário, meu tio já estava atrás da grades”, criticou.

“Porque a justiça não está sendo correta, a mãe do rapaz paga em uma mensalidade de medicina mais de R$ 10 mil por mês, e vem oferecer R$ 50 mil pela a vida do meu tio? Isso é imoral. Acho que ele quer dar bem uma esmola, só pode, para o pessoal da família se calar. Se a justiça acha isso certo né, com certeza qualquer pessoa que ver o caso vai ver claramente, que ele matou meu tio, e uma vida não tem preço, é o que penso”. 

O acidente 

O caso foi registrado por uma câmera de monitoramento de um prédio. Pelas imagens, é possível observar o momento em que o carro, pilotado por Arthur, atinge a vítima, que estava na calçada.

O condutor, de 22 anos, confessou à Polícia Militar que havia bebido. Ele disse aos policiais que estava voltando de uma formatura. Na ocasião, Arthur negou-se a fazer o teste do bafômetro, foi autuado em flagrante e levado para a Cidade da Polícia, no bairro do Geisel.

Arthur José Rodrigues chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 15 mil.