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As Salas Lilás da Paraíba acolheram 829 mulheres vítimas de violência em João Pessoa e Campina Grande em 2025. O balanço foi apresentado pela coordenadora do Programa Antes que Aconteça, Camila Mariz, durante entrevista ao programa Hora H, da Rede Mais.
Os atendimentos ocorreram ao longo do ano passado nas duas unidades instaladas dentro do Instituto de Polícia Científica (IPC). Em João Pessoa, foram 660 mulheres atendidas entre março e dezembro, enquanto Campina Grande registrou 160 atendimentos de agosto a dezembro. “A Sala Lilás é um grande marco da atuação e de tudo que o programa [Antes que Aconteça] tem representado, inclusive da confiança que as mulheres têm tido nesse programa e, portanto, têm acessado ao serviço”, destacou Camilla.
Durante a entrevista, a coordenadora fez um alerta sobre o perigo de não denunciar casos de violência doméstica. “O silêncio é uma das causas mais determinantes que fazem com que uma mulher não rompa o ciclo da violência e, porventura, venha a perder sua vida para um feminicídio”, disse ela, lembrando que muitas mulheres deixam de denunciar por medo, dependência econômica ou vergonha da situação, mas que “é preciso ter coragem para falar”.
Experiência familiar
Camila compartilhou durante o programa a própria experiência familiar com a violência doméstica, quando a mãe foi assassinada pelo ex-marido – pai de Camila. “Há 26 anos, quando não se falava desse tipo de coisa, minha mãe foi uma vítima. E eu entendo hoje, sendo uma pessoa que está diariamente em contato com o tema, que minha mãe não se enxergava uma vítima. Então esse é o primeiro alerta que eu sempre faço às mulheres.”
“Eu acredito que esse é o momento de virada de chave enquanto sociedade. A gente precisa que todos, sobretudo os homens, entendam que se a gente não fortalecer, se a gente não ouvir, se a gente não buscar ajudar, dificilmente essa mulher vai pedir ajuda sozinha. A culpa não é dela, ela é uma vítima. Quem tem que mudar primeiro é a educação, são os homens, os homens que a gente está formando. Começa realmente dentro de casa”, frisou Camila.
“É preciso coragem”
Ainda na entrevista, Camila reforçou a importância de quebrar o silêncio e romper o ciclo da violência. “Eu sei o quanto é difícil, o quanto a mulher que é vítima de violência doméstica ela tá coberta de culpa, de medo, de vergonha, mas aquilo que vai ser determinante para o fim dessa história ou o fim da sua vida, será a sua coragem (…). E é essa coragem que vai determinar o seu futuro, e o futuro dos seus filhos e filhas e das gerações que a gente tem. Quando eu tive a coragem de falar, pra mim mudou muita coisa”, afirmou.
Expansão do programa
De acordo com a coordenadora do Antes que Aconteça, a expansão das Salas Lilás é uma das prioridades do programa. Segundo Camila, a meta é implantar mais 50 unidades no estado nos próximos dois anos, ampliando a cobertura da rede de proteção. “A sala é muito emblemática. Porque, imagine, se em dois municípios do nosso estado, dos 223, já atendeu quase 900 mulheres, imagina a transformação que a gente vai trazer colocando em um pequeno município”, pontuou.
Assista a entrevista completa:
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 15/01/2026