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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

O amor da vida

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publicado em 30/11/2025 ás 07h03
atualizado em 30/11/2025 ás 07h33

Da obra de Walter Hugo Mãe, o filme ´O Filho de Mil Homens´, dirigido por Daniel Rezende, (um longa brasileiro), parece uma saga, extrema necessidade de se alongar numa história enfatizada e mais explicavelmente bela, sobre um pescador solitário que carrega na rede de pescar a culpa por não ter conseguido ser pai. Cedo ou tarde, o amor chega e purifica.

Bom, primeiro para ser pai é preciso juntar tijolo com tijolo, além da coragem e amor, que sem amor, não tem como ser pai. Fui vendo o filme e entendendo a necessidade do personagem Crisóstomo (representado por Rodrigo Santoro), de querer ter sido pai, ter um filho, não para sentar com ele no sofá, mas para amar, educar, torná-lo gente como fazem bons companheiros, não como os pais da canção do Belchior

Ser pai não é diferente de ser mãe, mas a mãe aparece oculta no filme, guardada no passado por alguma intensão do autor ao mostrar a solidão de um homem que não conseguiu de ser pai, virar pai e mãe de uma só vez. Sim, o autor português Walter Hugo Mãe dá um  jeito e realiza o desejo do pescador, nos gritos, no gozo, numa atenção fora do comum.

Na procura de um filho sem pai, já que ele mesmo é um pai sem filho, Crisóstomo deixa uns bilhetes espalhados pelo vilarejo e esbarra com Camilo (Miguel Martines), um garoto órfão de 12 anos e é como se fosse mágico e, logo eles iniciam uma história singular, recompensadora, de um dia formar uma família, nada convencional.

´O Filho de Mil Homens´ traz outros personagens tirados da vida da gente, nesses ângulos fincados ao sol, com as controvérsias e contradições de cada um, numa injunção de fazer a coisa acontecer e parece que caminhamos com Esaú e Jacó de Machado de Assis, uma história simples, acontecida e por acontecer, os gêmeos que lutam pelo amor da jovem Flora Batista.

Crisóstomo e Camilo vivem num povoado de frente para o mar. E outra história dentro  – o autor  coloca um jovem incompreendido chamado Antonino (Johnny Massaro) e uma mulher fugindo da própria dor chamada Isaura (Rebeca Jamir) que se casam e são indiferentes um a outro, que se  cruzam para esbarrar no caminho de Crisóstomo e Camilo.

A displicência e a suavidade tornam-se assim uma paixão silenciosa atravessando tudo que não é fiel a uma antiguidade, amorosidade, nessa história de ser pai, uma história que não é inventada, uma prece que aumenta a beleza do filme. A chegada do casal na vida de Crisostomo e Camilo, mexe com raízes, talos e frutos que brotam do amor. O amor da vida

Para acomodar todos num encontro que chamamos de família, ´O Filho de Mil Homens´ fura o telhado da casa, que ampara a  familia, pois estamos sempre com nós mesmos, onde amamos e sofremos quando somos pai e mãe,

Mil vidas vem à tona, nas lentas e belas passagens. Os começos e os fins valem para muita coisa, se antes o personagem busca um filho, o filho também buscava um pai.

É lindo o filme mas é preciso calma, ser visto com calma, como disse o ator Rodrigo Santoro, porque a história possui uma linguagem conhecida e desconhecida, ao mesmo tempo.

Um coração e outro e nenhum deles pesa mais que o outro e todos festejam silenciosamente – os buzios falam por si no ouvido do pai e do filho. São sons de sim, dso amor da vida.

Kapetadas

1 – Mas me fale de você, o que você acha de mim?

2 – O mais doido de isso tudo é que o amor resolveria o problema do mundo. Será?

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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