João Pessoa, 29 de agosto de 2025 | --ºC / --ºC Dólar - Euro
Eu era um pirralho no bairro do Miramar quando chegou a noticia de que todo mundo deveria voltar pra casa e procurar um esconderijo, preferencialmente embaixo das camas porque iria acontecer a explosão de um caminhão cheio de gasolina que estava em chamas no centro da cidade. Pelo menos é disso que lembro. À noite, com a chegada dos nossos pais vindos do trabalho soubemos do fato. Em um posto de gasolina que havia no centro da cidade, um caminhão transportando combustível começou a descarregar quando chamas o envolveram. Não lembro a origem das chamas e sequer lembro se o herói da história foi o próprio motorista do veículo ou algum passante. O certo é que alguém mais afoito assumiu a direção do caminhão em chamas e mergulhou na lagoa. Este é o fato, pelo menos até onde me lembro. Isso realmente ocorreu dessa maneira? Como era o nome do herói? Onde está a estatua em sua homenagem ou uma rua com seu nome?
Outro herói, esse identificado, é Iran Mamede, da minha requa de maloqueiros do Miramar. Naquela terrível tragédia da lagoa onde dezenas morreram afogados, consta que Iran mergulho e salvou muitas vidas. Esses são fatos contados até hoje no Miramar. Nunca encontrei um desmentido. Iran nadava bem, éramos da mesma equipe de natação do clube Cabo Branco. Na época da tragedia eu morava no Rio de Janeiro e não pude acompanhar a história, mas tempos depois procurei me informar através de amigos comuns, já que Iran viajara, estava trabalhando como mergulhador (da Petrobrás?). Devo confessar que eu morria de medo de reencontrar Iran. É que quando pirralhos tivemos um desentendimento numa pelada de futebol e fomos às vias de fato em frente à igreja do Miramar. Cercados pelos amigos que incentivavam a briga, dei o primeiro murro e algumas almas caridosas separaram a briga, porque eu iria com certeza levar uma tremenda surra. Mas como naquela época quem dava o primeiro murro ganhava, passei a gozar da fama de bom de briga. Na verdade, eu vivia me escondendo todas as vezes que avistava Iran.
Passados muitos anos, estava na calçadinha de Tambaú quando um verdadeiro armário de músculos me abordou: “-Lembra de mim? Iran, do Miramar”. Imediatamente dei-lhe um abraço de urso e não larguei ate sentir que ele estava relaxado. Graças a Deus não lembrava daquele lamentável equivoco que eu cometera tanto tempo atrás. O que para muitos foi uma demonstração de afeto meu, na verdade era uma tentativa tosca de não deixar Iran devolver aquele maldito murro. Deu certo.
Cadê a estátua do meu amigo Iran?
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 27/08/2025