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Kubitschek Pinheiro – MaisPB
Jornalista e escritor, Leo Aversa, com 35 anos de profissionalismo, tem o nome como marca, aliado ao seu trabalho com fotografias. A desenvoltura de Leo Aversa, se mistura com a sensibilidade, a maneira de fazer retratos, como dizíamos antigamente, de uma forma ousada, clássica, e com intervenções em algumas imagens.
A lista de artistas da cultura brasileira fotografados por Leo Aversa, é numerosa – Caeteno Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Chico Buarque, Adriana Calcanhotto e, recentemente, a jornalista Glória Maria, falecida quinta-feira passada.
Ele amplia resultados fotografando
Participou do livro “Rio Zona Norte” e “ Orquestras Sinfônicas” , com um ensaio sobre a OSB. Ainda nessa década 2000, venceu o Prêmio Amazonas de Jornalismo Cultural. Em 2004 recebeu o prêmio Jornalismo para a tolerância, da Federação Internacional de Jornalistas (FIP). Em 2015 foi vencedor do Prêmio Abril de fotografia. Confere mais no instagram @leoaversa
Essa junção da fotografia com o jornalismo, segue dedicada a projetos pessoais – ele tem como clientes Sony Music, Editora Abril, Biscoito Fino, Record, Intrínseca, Som Livre, Ediouro, Coca Cola e Nivea.
Ele é autor do livro “Crônica de Pai” com selo da Editora Intrínseca e escreve uma coluna de crônicas às terças-feiras, no Jornal O Globo.
Leo Aversa conversou com o MaisPB e contou essa história da multiplicação da imagem com textos, com a certeza de que é apaixonado pelo que faz e faz bem.

MaisPB – Agora em 2023 você chega aos 35 anos de profissionalismo. Como começou tudo?
Leo Aversa – Comecei como estagiário. Estava ainda na Faculdade de Jornalismo quando vi um anúncio no Globo procurando estagiários. Fiz a prova. Entrei e fiquei quase 25 anos.
MaisPB – Quando aconteceu o ensaio da jornalista Glória Maria e a falta que fará para nosso país?
Leo Aversa – As fotos da Glória foram feitas no final de 2019, para um editorial de capa da Revista Ela. Como sempre, ela foi muito gentil e generosa. Glória Maria é um ícone do jornalismo brasileiro. Uma pessoa sem igual, que conseguiu uma trajetória única, inédita, que serviu e serve de modelo para uma legião de profissionais
MaisPB – Seu trabalho é mais o retrato, como dizíamos antigamente o “retrato”. Tem ideia de quantos retratos você já fez?
Leo Aversa – Ao longo do tempo fui mais para esse lado, da cultura, onde predominam os retratos. Acho que foram mais de dez mil…
MaisPB – Aliás, muitos artistas foram e são fotografados por você para capas de discos, ensaios, encartes, reportagens. Esses trabalhos também vêm lá do final da década de 80, né?
Leo Aversa – Sim, o estágio começou em 1988. Depois do estágio trabalhei dois anos nos jornais de bairro do Globo, que são as notícias locais. Dali fui para a reportagem geral, as “hardnews” e terminei no Segundo Caderno, em espetáculos e cultura
MaisPB – Você estudou jornalismo pela ECO/UFRJ. Tinha como foco trabalhar em redações, criando espaços para mostrar sua arte como fotografia, ou já foi direto trabalhar com fotografias?
Léo Aversa – Entrei muito cedo na faculdade, com 16 anos, sem muita ideia do que fazer. A fotografia era um hobby, não fazia ideia que era possível viver de um hobby, mas aí as coisas foram acontecendo….
MaisPB – Desde 2015, você começou a escrever no site do Projeto Colabora, e depois, em 2018, passou a assinar uma coluna no jornal O Globo. Escreve sobre tudo, loucuras, esquinas, cenas delirantes, política, cotidiano escambau?
Leo Aversa – Sim, é um lugar da crônica, da observação pessoal dos acontecimentos. Não é tão distante da fotografia: é tudo observação.
MaisPB – É linda a fotografia de Adriana Calcanhotto saindo do mar com o violão. Vamos falar desse ensaio?
Léo Aversa – Foi algo casual: a ideia era fotografá-la na beira do mar, com um violão, que por sinal era real e bem caro. A questão é que veio uma onda…o que mais me marcou no episódio foi a presença de espírito da Adriana: ela não se mexeu quando a onda veio. Se tivesse se assustado teria perdido não só o violão como também a foto. Ela é genial.
MaisPB – É cinematográfica a foto de Gal no show dirigido por Gerald Thomas na década de 90. Lembra desse momento? E o que Leo tem a dizer da perda de Gal Costa?
Leo Aversa – Lembro, claro. Eu tinha saído do Imperator ( uma casa de shows no Méier, Rio de Janeiro) para entregar o filme a um motoqueiro que o levaria ao jornal ( para dar tempo de entrar na edição seguinte). Quando voltei me deparei com a cena. Só deu tempo de colocar uma lente teleobjetiva e dar dois ou três cliques. Foi tenso. Perder Gal Costa é perder uma parte da cultura brasileira. Mas a sua obra, como a de todo artista, fica para sempre
MaisPB – Você também faz fotos de viagens, imagens do verde, das águas. Você conhece os sertões do Nordeste, pensa um dia em fotografar nossas belezas, sua gente e imagens dolentes de famílias em sagas procurando uma vida melhor?
Leo Aversa – Tenho muita vontade! Só fui quando criança. É um projeto que pretendo um dia realizar.
MaisPB – Você gosta do trabalho de outros fotógrafos. Por exemplo – como Leo Aversa vê o trabalho de Sebastião Salgado?
Leo Aversa – Claro, é imprescindível! É preciso conhecer o que os outros estão fazendo, é a única maneira de evoluir. Sebastião Salgado é genial, uma referência para todo fotógrafo, não importa de qual área.
MaisPB – Você já fez várias mostras e foi bem premiado, além de trabalhar para Sony Music, Editora Abril, Biscoito Fino, Record, Intrínseca, Som Livre, Ediouro, Coca Cola e Nivea. Isso é o resultado de um bom trabalho, não é?
Leo Aversa – Alguma qualidade e muita, muita persistência. Existe a lenda que em qualquer ofício são necessárias dez mil horas de prática para você ter algum domínio sobre a atividade. Acho que a fotografia não é diferente. É um longo caminho, mas muito recompensador
MaisPB – Fala aí de um ensaio que você gostou muito de fazer?
Leo Aversa – Fui em 2007 fazer uma reportagem sobre campos de refugiados na Etiópia e na Somália. Foi algo transformador
MaisPB – Leo Aversa faz fotos em casa, nas ruas, do filho Martín?
Leo Aversa – Claro, a câmera do celular não para! Martín não me aguenta mais, ainda mais que agora é um adolescente. No fundo acho que tudo o que aprendi sobre Fotografia foi para poder ter imagens boas do meu filho. É o que importa.
Mostras Individuais
(2015) Pequeno Líder, Grande Campo, Oi Futuro
(2011) O meu retrato é seu, seu retrato é meu, Centro Cultural dos Correios
(2008) Álbum, Oi Futuro
(1997) Acústico, Espaço Cultural dos Correios
(1992) Imprimindo a Fama, Galeria Bookmakers
(1989) Fotojornalismo, Biblioteca do Estado do Rio de Janeiro
Mostras Coletivas
(2012) Olhar Tátil, Centro Cultural da Justiça Federal
(2011) Rio, Galeria Tempo
(2010) Arquivo Geral, Centro Cultural Hél Oiticica
(2008) Arquivo Geral, Centro Cultural da Justiça Eleitoral
(2007) Noturnos, Casa do Saber
(2004) A Grande Diáspora, Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho – Castelinho
(2004) Fotógrafos Brasileiros, Centro Cultural Banco do Brasil
(2002) A Imagem do Som – Tom Jobim, Paço Imperial
(2001) Ensaios de um Brasil, Centro Cultural Banco do Brasil
BOLETIM DA REDAÇÃO - 19/02/2026