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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

 Reflexões sobre o Brasil e a Austrália

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publicado em 09/03/2022 às 07h48

O Brasil é agora a décima terceira maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$ 1,608 trilhão em 2021 e que representa 1,7% do PIB global, segundo a agência de classificação de risco de crédito brasileira Austin Rating. E o PIB é a soma “de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país” (SANDRONI, 2014, p. 649).

O PIB brasileiro cresceu 4,6% em 2021, melhor desempenho econômico desde 2010 (7,5%) e totalizando R$ 8,7 trilhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de crescimento do PIB foi em média de 0,6% ao ano no triênio 2019 (1,2%), 2020 (-3,9%) e 2021 (4,6%). E as previsões econômicas não são animadoras para o PIB no ano de 2022, devido as eleições presidenciais mais polarizadas da História da República e os impactos econômicos da invasão da Rússia à Ucrânia.

Entre 2019 e 2021, o Brasil caiu quatro posições no ranking mundial das quinze maiores economias e passou da nona para a décima terceira maior economia do planeta, sendo ultrapassado pelo Canadá, Coreia do Sul e Rússia em 2020 e pela Austrália em 2021.

Por causa da desvalorização do real em relação ao dólar americano no ano passado e do forte crescimento da economia australiana, o Brasil foi superado pela Austrália, com um PIB nominal de US$ 1,613 trilhão em 2021, agora o décimo segundo maior PIB do mundo. A Austrália é um país continental, uma nação rica em recursos naturais, localizada no Hemisfério Sul, precisamente na Oceania. E a ex-colônia inglesa é o sexto maior país do planeta e é conhecida pelos consultores nacionais e internacionais como “o Brasil que deu certo”.

A Austrália está na lista dos dez melhores resultados em desenvolvimento humano e tem o oitavo maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta, com IDH de 0,944 em 2019, conforme o Relatório do Desenvolvimento Humano 2020, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). E a expectativa de vida ao nascer é de 83,2 anos e é a sexta mais alta do mundo.

O Brasil é o maior parceiro comercial da Austrália na América do Sul. Portanto, precisamos dar o primeiro passo para aumentar e motivar as parcerias nas áreas econômicas, sociais e ambientais entre os dois países continentais do Hemisfério Sul. Existem várias oportunidades de negócios e investimentos na Comunidade da Austrália, que foi formada com base na democracia liberal desde 1901 e é um país desenvolvido, insular e que fica ao sul da Linha do Equador, exatamente no menor dos continentes, e as cinco principais cidades australianas são Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Adelaide.

A distância entre o Brasil e a Austrália é de mais de 15 mil quilômetros e um voo internacional pela Qatar Airways tem duração de mais de 35 horas, saindo do aeroporto internacional de Recife, com escalas em São Paulo e Doha, em direção ao aeroporto internacional de Melbourne, cidade que foi eleita pela revista inglesa The Economist, entre 140 cidades do planeta, como a cidade mais habitável do mundo, a melhor cidade para se viver, trabalhar e estudar por sete anos consecutivos.

A Austrália tem um território continental de mais de 7,6 milhões de quilômetros quadrados (um pouco menor do que o Brasil com 8,5 milhões de quilômetros quadrados) e rodeado pelos Oceanos Pacífico e Índico. E é formada por seis estados (Austrália Ocidental, Austrália do Sul, Queensland, Nova Gales do Sul, Tasmânia e Victoria) e dois territórios (Território do Norte e Território da Capital Australiana) e a capital é Canberra, onde está localizada a mais importante biblioteca do país, a National Library of Australia, cujo site é https://www.nla.gov.au/.

A Austrália tem 25,4 milhões de habitantes (8,5 vezes menor do que os 216,0 milhões de habitantes do Brasil), mas, a renda per capita australiana é de US$ 59 mil. É uma grande ilha, com muitas belezas naturais, tem lindas praias e repleta de cangurus, coalas, vombates, além de répteis e crocodilos. A Austrália é um país multicultural, seguro, com um povo muito receptivo, que apresenta excelente infraestrutura para o turismo que gera empregos e renda, o transporte público funciona muito bem e o clima é em geral quente e seco, quase sempre ensolarado, que incentiva a prática de esportes como surf, kitesurf, vôlei de praia, tênis, beach tenis, natação e ciclismo.

Na Austrália a moeda é o dólar australiano (AU$), a língua oficial é o inglês e é uma grande produtora e exportadora de commodities como minério de ferro (maior exportador mundial), lã (maior produtor mundial), carvão mineral (maior exportador global), bauxita (maior produtor mundial), diamantes, alumínio, ouro (segundo maior produtor global), prata, níquel, alumínio, zinco, manganês, açúcar, algodão, trigo (décimo maior produtor mundial), cevada, uva, carne bovina (terceiro maior exportador global), chumbo, cobre, petróleo e gás natural liquefeito (maior exportador mundial).

Infelizmente, há mais de uma semana, as fortes inundações obrigaram as famílias australianas a abandonar suas casas em Sydney e suas fazendas em Lismore, e provocaram 20 mortos. Em Sydney, a maior e mais populosa cidade australiana, cerca de 500 mil pessoas foram evacuadas da cidade pelo Serviço Nacional de Emergência, que coordenou os sinais de alertas de evacuação e planejou a utilização de abrigos públicos de emergência para os milhares de desabrigados.

Infelizmente, a Austrália vem sofrendo incêndios florestais, secas e severas inundações por causa das mudanças climáticas. Portanto, temos muito que dialogar com os agentes econômicos e as autoridades australianas sobre como agir com máxima eficiência na defesa da população com suas casas cobertas de água até o telhado, e, sobretudo, como combater a emissão de gases do efeito estufa. É fundamental mais ações concretas dos dois países para conter o aquecimento global em plena Quarta Revolução Industrial.

Na visão setorial do PIB do Brasil em 2021, os setores de serviços (4,7%) e industrial (4,5%) foram os que mais impulsionaram a alta do PIB brasileiro em 2021 e juntos representam 90% do PIB brasileiro. Enquanto, o setor agropecuário caiu 0,2% no ano passado, por causa dos sérios problemas climáticos como a seca que provocou a pior crise hídrica dos últimos 91 anos.

Infelizmente, no Brasil, precisamente na cidade de Petrópolis, as fortes chuvas provocaram 233 pessoas mortas desde 15 de fevereiro até o dia de hoje. E as mais de 1.100 pessoas que perderam suas casas têm direito a receber o aluguel social de R$ 1.000,00 da Prefeitura Municipal de Petrópolis e sacar o Saque Calamidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de R$ 6.220,00 pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Nós, os brasileiros, precisamos de uma política habitacional para erradicar o déficit habitacional, cerca de 6 milhões de moradias nas cinco regiões do País; de uma política pública contra a avassaladora desigualdade social; e, principalmente, de grandes investimentos públicos e privados em educação de qualidade que transformarão a situação socioeconômica e ambiental de uma nação de economia emergente para uma economia avançada em pleno século XXI.

Para nós, brasileiros, a atual conjuntura nacional de desemprego, inflação e juros altos assolam a qualidade de vida das famílias. Já são 76,6% das famílias brasileiras com contas atrasadas, sobretudo, no cartão de crédito, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Portanto, cerca de 8 em cada 10 famílias têm dívidas a vencer no cartão de crédito, cheque pré-datado, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro ou prestação de casa por todo o território nacional.

Nos dias atuais, necessitamos de uma reforma tributária, porque o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do planeta, atualmente são 92 tributos vigentes, e ao mesmo tempo, essa alta carga tributária, que representa 33,1% do PIB em 2021, faz com que certas empresas passassem a ser sonegadoras de impostos, taxas e contribuições aos governos Federal, Estaduais e Municipais. E precisamos estar atentos ao mercado de capitais, em 08 de março, o Ibovespa, principal índice da Brasil, Bolsa, Balcão (B3), caiu 0,35% e chegou aos 111.203 pontos.

Conclui-se que o Brasil mantém-se entre as vinte maiores economia do mundo e continua sendo um país membro do Grupo dos Vinte (G-20) – como a Austrália. E no ano do bicentenário da independência do Brasil é vital compreender o pensamento dos consultores americanos Richard Israel e Vanda North da International Alliance for Learning, “Como os mercados financeiros estão aos trancos e barrancos no mundo inteiro, a moeda internacional não é mais o dinheiro, mas o conhecimento. Enquanto trabalhadores do conhecimento, quanto mais inteligentes, maior o nosso valor. Aprender novas habilidades e obter novos conhecimentos é a nova garantia”. Em outras palavras, o ouro do século XXI é o conhecimento! Logo, vamos ler, reler e ler de novo!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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