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Mônica Salmaso dá início ao Projeto Caipira Online e lança dois discos

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publicado em 20/11/2021 às 11h35
atualizado em 21/11/2021 às 06h48
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 Kubitschek Pinheiro MaisPB

Fotos – Paulo Rapoport e Dani Gurgel

Monica Salmaso, uma das melhores artistas do Brasil, está realizando o Projeto Caipira Online. Ela decidiu preparar quatro apresentações especiais, que terão transmissão online todas as sextas, às 21h, pelo seu canal no Youtube.

A cada semana, a cantora vai receber um convidado (começou ontem com Conversa Ribeira, (grupo formado pela cantora Andrea dos Guimarães, pelo violeiro e cantor João Paulo Amaral e pelo pianista e acordeonista Daniel Muller) seguida de outras apresentações com Paulo Freire, Sérgio Santos e Rolando Boldrin,

Mônica vai dividir com o público um roteiro novo, com inspiração no universo do seu disco, “Caipira”, de 2018, sem negar o curioso paradoxo que o título desperta o seu projeto Caipira Online, que tem patrocínio da Seguradora Icatu e realização do Ministério do Turismo.

A próxima sexta-feira (26) será com Paulo Freire. Depois, no dia 3 de dezembro, ela se apresenta com Sérgio Santos e fecha o espetáculo com Rolando Boldrin, no dia 10 de dezembro. Os shows ficarão disponíveis no seu canal do Youtube, para serem vistos até o final de dezembro.

Há uma particularidade que se impõe muito além da voz. A artista e sua performance, estão na linha de frente nos trabalhos interligados pela essência da grande intérprete. A Mônica Salmaso que mergulha nesse projeto, inteiramente no universo caipira do seu disco homônimo, pois ela já estava nessa travessia por esse mundo em discos como ‘Trampolim’ (seu segundo trabalho de 1998) e durante toda a sua trajetória nos palcos e aplausos.

A cantora, que estreou visitando os afro-sambas de Baden e Vinícius, fez songbooks de Chico Buarque, Paulo César Pinheiro e Guinga, e gravou discos aclamados como “Voadeira” de 1999 e “Iaiá”, de 2004 permanece fiel a música humana música.

CAIPIRA ONLINE

Acompanharam e acompanharam Mônica na turnê de shows pelo Brasil: Neymar Dias (viola caipira), Lulinha Alencar (acordeon e piano), Teco Cardoso (flautas), Luca Raele (clarinete) e Ari Colares (percussão). As gravações aconteceram em São Paulo, no estúdio Monteverdi, do pianista André Mehmari, habitual parceiro de Mônica.

O repertório apresenta ainda canções nunca gravadas por Mônica e passeia pela sua longa trajetória. Surpresas.

Voltando à questão da identidade, o roteiro amarra com naturalidade gravações anteriores como ‘Moro na roça’ (D.P. Adap Xangô da Mangueira e Zagaia), ‘Menina, amanhã de manhã’ (Tom Zé / Perna), ‘Beradêro’ (Chico César), ‘Minha Palhoça’ (J. Cascata) às canções do ‘Caipira’, além de músicas nunca gravadas por Mônica, como ‘Amanheceu, peguei a viola’ (Renato Teixeira) e ‘Voz’ (Sérgio Santos/Paulo César Pinheiro). Como a própria Mônica observa, nem todas as canções nasceram caipiras, mas receberam um tratamento especial no projeto. Relidas com propriedade pela artista que, mesmo morando na capital, carrega essa alma expandida que tanto a fascina.

Os convidados foram escolhidos pela afinidade que possuem com o universo de “Caipira” e com a própria Mônica.

A segunda apresentação, é a vez do violeiro Paulo Freire. O terceiro dia traz como convidado o cantor, compositor e violonista mineiro Sérgio Santos, de quem Mônica gravou duas canções no disco ‘Caipira’

No encerramento de ‘Caipira Online’ será a vez de Rolando Boldrin, um artista completo.

Mônica Salmaso conversou com o MaisPB e nos contou bem direitinho a história desse projeto e fala do lançamento este ano de dois discos – , o álbum “Japan tour 2019” e “Estrada Branca”, este, um encontro das vozes de dela e do músico e cantor português José Pedro Gil, que homenageiam nosso poetinha Vinícius de Moraes e compositor lusitano, José Afonso. O selo é da Biscoito Fino.

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MaisPB – Como foi essa ideia do Projeto Caipira Online?

Monica Salmaso – Na verdade, a gente estava fazendo a turnê do trabalho do Caipira, fizemos por dois anos, já no final e tínhamos quatro shows para realizar, quando veio a pandemia. Tudo foi cancelado. Adiado. Fiquei segurando a onda, esperando se a coisa voltava, para não perdermos esses quatro shows. O ano passado não deu, nem esse ano. sim.

MaisPB – Mas agora encontraram uma solução?

Mônica Salmaso – Em julho e agosto, eu fiquei com medo de isso caducar. Aí tive essa ideia de fazer uma readequação junto com a Lei Rouanet, para fazer esses quatro shows que seriam em teatro, para 4 conteúdos online. O problema é que não daria para fazer o mesmo show online quatro vezes. Então, criei uma forma de quatro conteúdos diferentes, que justificasse, que os músicos e os técnicos não perdessem esse trabalho. Então, criamos uma coisa que tivesse a ver com o Caipira, mas não é o mesmo quatro vezes repetidas.

MaisPB – Então, a solução foi dividir um show em quatro, com as participações individuais?

Mônica Salmaso – Na verdade, nem é dividir. Primeiro a gente duplicou nosso repertório. Então, eu gravei com os meninos que fazem a turnê comigo – com Teco Cardoso, Neymar Dias, integrante da banda formada por Ari Colares (percussão), Luca Raele (clarinete), Lulinha Alencar (acordeom e piano) e Teco Cardoso (sax e flautas). Fomos para dentro do estúdio do André Niemaire e gravamos trinta e duas músicas do disco Caipira e outras que eu não havia gravado nesse projeto, mas que conversam com esse universo e também com nossos convidados.

MaisPB – E depois?

Mônica Salmaso – Fiz um conteúdo meu com cada um dos quatros convidados. Gravamos a distância. O caso do Boldrin tem até uma cena que não é música, que ele bolou e eu aceitei. Esses shows são peças editadas, que a gente insere e assim a gente conclui essa história do Caipira de um jeito bonito, porque os quatro convidados eles têm a ver esse projeto para mim. Cada um tem sua importância. Esses caras pra mim, são bem destacados, são quatro galas, quatro estreias, quero que as pessoas sintam isso que a gente fez com muito carinho.

MaisPB – A semana passada entrevistamos Gal Costa e ela já está de volta aos palcos, assim como Marisa Monte, que abre a turnê em janeiro. Caetano Veloso a partir de abril de 2022. Mônica também vai botar o pé na estrada?

Mônica Salmaso – Sim, no momento certo. As coisas estão começando a se abrir agora. Eu ainda não sinto essa segurança por mim e pelas pessoas Estamos ainda num momento de reabertura gradual, mas para o ano que vem, a gente já consegue fazer planos nesse sentido.

MaisPB – Para o ano que vem teremos um novo projeto, né?

Mônica Salmaso – Já estou aprontando. A gente está vivendo uma coisa muito maluca. Ao mesmo tempo que ficamos afastados do nosso trabalho presencial, a nossa produção nunca parou, o Japan Tour, que eu tive muita felicidade, que saiu pela Biscoito, é um exemplo.

MaisPB – Fale-nos de Paulo Freire, que aparecerá na próxima sexta -feira, com você no Caipira Online?

Mônica Salmaso – Ele é de São Paulo, estudou na França, mas se apaixonou pela viola caipira e pelo universo do Guimarães Rosa. É filho do Roberto Freire, e homônimo do educador Paulo Freire, o nosso amado Paulo Freire,

MaisPB – E o Sérgio Santos?

Mônica Salmaso – Ele é de Minas Gerais. Um excelente artista

MaisPB _ Rolando Boldrin é sensacional, né?

Monica Salmaso – Sim, maravilhoso.

MaisPB – Nessas apresentações você canta “Beradero” de Chico César?

Mônica Salmaso – Eu gravei essa canção no meu disco Voadeira de 1999 que eu canto há anos. Eu amo essa canção. Eu resolvi colocar essa música neste dia, por causa do Paulo Freire, porque aí ficam dois: o músico e o educador. É lindo quando Chico (César) diz uma cigana lendo a mão de Paulo Freire. Chico César é um grande artista. Estudamos juntos, a gente se conheceu desde no comecinho, fizemos o mesmo curso de música. Um pouco antes dele gravar o primeiro disco “Aos vivos”.

Dois discos lançados este ano, um no Japão e outro  em Portugal

Gravado ao vivo no Nerima Culture Center e no estúdio Saidera Mastering, no Japão, em abril de 2019, o álbum “Japan tour 2019”, do quarteto Mônica Salmado (voz e percussão), Guinga (violão), Teco Cardoso (flauta) e Nailor Proveta (clarinete) está nas plataformas digitais. Originalmente editado no Japão, o disco traz 12 faixas e chega ao Brasil pela Biscoito Fino, também em formato físico. São cinco faixas gravadas ao vivo e o restante em estúdio, nos dois dias seguintes à apresentação japonesa.

O outro álbum “Estrada Branca” promove o encontro das vozes de Mônica Salmaso e do músico e cantor português José Pedro Gil, em torno da obra dos compositores Vinícius de Moraes e José Afonso, dois dos mais importantes compositores do Brasil e de Portugal. Além do álbum – que chega agora ao Brasil via Biscoito Fino em versão digital e em breve no formato de CD físico -, Mônica e José Pedro Gil fizeram apresentações no Porto, em Sintra e em Lisboa, em Portugal.

MaisPB – Vamos ao Japão, Mônica?

Mônica Salmaso – Esse disco (Japan tour 2019) a gente tinha a turnê, já tinha o primeiro show em São Paulo para um canal de Tv Japonesa e convidaram a gente para se apresentar lá e gravamos. Fizemos o último show em Tóquio. Tinha mais canções nesse show, mas quando ouvimos a apresentação do ao vivo, e tem coisas que tinham e têm a energia com a plateia. Então, o disco tem uma parte que foi feita em estúdio e outra parte, com plateia. Foi muito bonito.

MaisPB – E o disco que você gravou com o português José Pedro Gil?

Mônica Salmaso – Esse disco, “Estrada Branca”, eu gravei com o Teco Cardoso e o Nelson Aires, um disco que rendeu muitas alegrias, para nós três. Em 2013 teve o centenário de Vinicius de Moraes e a gente preparou um show em homenagem a ele, eu, Teco e Nelson Ayres. Do outro lado do Atlântico, meu amigo José Pedro Gil, junto com o pianista Manuel de Andrade e um quarto de cordas, fizeram um disco em homenagem ao poeta Zé Afonso, que é um compositor muito importante português. A gente conversando sobre isso, nós fizemos um trio com Vinícius e ele com um quarto de cordas e tivemos a vontade de fazer um encontro desses dois trabalhos e isso virou um show lá em Portugal. Cantamos em algumas cidades e um desses shows gravamos ao vivo e está aí o álbum, que ia sair só em Portugal em LP, mas a Biscoito Fino maravilhosamente se interessou e saiu aqui também.

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