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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

Sabores & odores

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publicado em 18/09/2021 às 07h37
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Em um copo longo, muita água de coco e um pouquinho de uísque, o que lembra? Para mim tem o sabor das antigas festas de quinze anos, quando nós, meninos enxeridos (13, 14 anos) dávamos os primeiros passos nas festas de João Pessoa. Por falar em festa de aniversário, que tal pastel de carne com açúcar? É ou não é a cara de festa de criança?

Galinha com aquela “graxa” é a cara do almoço de domingo antigamente. Lá em casa, como brigávamos pelo coração da galinha, minha mãe recortava a moela de tal forma que sempre havia três corações na mesa.

Pipoca tem sabor e cheiro de cinema. Cachorro quente lembra a festa das Neves, mas maçã do amor lembra mais ainda.

Cheiros estranhos. Escapamento de ônibus lembra-me cidade grande, a avenida Nossa Senhora de Copacabana, por exemplo. Gasolina me remete à juventude dos “pegas” na Lagoa.

Cheiro de carro novo. Esse é o que há. Por que será que nunca inventaram um “spray” com esse cheiro para usarmos em carros usados?

Cheiro de chuva caindo no chão quente, quando sobe aquela fumacinha da terra ou do calçamento. Lembra minhas tardes de escola primaria, enfurnado em livros, fazendo o dever de casa.

Eita, ia esquecendo o gosto das sopas. Caldo de galinha lembra-me gripes, resfriados, um pouco de febre. Já sopa de feijão me recorda a casa de minha tia Joca. Carne enlatada (o famoso “kitut”) me remete às viagens ao interior do Estado, meninote ainda, comendo em restaurantes de beira de estrada.

Outro cheiro, esse bem nosso, é o da castanha de caju ainda assando. Furávamos a tampa de uma lata para assá-las e terminávamos com as mãos absolutamente pretas da fuligem.

O primeiro prato da primeira vez que qualquer de nós foi a um restaurante chinês. Se não foi experimentando aquela carne desfiada com cebola não há como guardar aquele tempo na memória.

Guaraná Dore, Guaraná Sanhauá, GRAPETTE. Crush e Mirinda, alguém lembra? Chocolate Bis. Eunápio Filho adorava Crush com Chocolate Bis. Estranho? Até que não, porque Zé Nilson Crispim quando saia das aulas no Pio X comia um pão francês com bolas de sorvete de coco dentro.

Sobremesa era goiabada com queijo, pudim às vezes e o sonho dos sonhos, uma fatia do bolo do casamento de ontem, guardada na geladeira para o dia seguinte.

Por fim, o gosto de um sapoti gelado de manhã cedo, o cheiro de cajus e mangas, um suco de mangaba, um sorvete de tangerina da Tropical, lembram?

Pois é, eu também.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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