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Marly Lúcio é jornalista pela UFPB, com MBA em Marketing pela FGV. Foi secretária de Comunicação e de Ciência e Tecnologia do município de João Pessoa. Sócia-diretora da Múltipla Comunicação Integrada, empresa especializada em gestão de imagem e assessoria de imprensa.

A rede pode ser social, responsável e saudável

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publicado em 05/08/2021 às 17h59
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O episódio envolvendo a morte do filho de 16 anos da cantora Walkíria Santos chocou o país. Sua dor dilacerou nossos corações e o seu desabafo de como a “internet está doente” nos convoca a uma reflexão sobre o meio e, essencialmente, sobre a forma como estamos nos comunicando através dele.

Nós brasileiros passamos uma média de quatro horas por dia na internet e somos um dos campeões mundiais quando o assunto é tempo de conexão à rede¹. Desse tempo, 3 horas e 31 minutos estão concentrados só na navegação nas redes sociais, o que nos confere o título de sermos o terceiro povo do mundo que mais as utiliza². Por aqui, os usuários chegam a 140 milhões de pessoas, ou seja, 66% dos brasileiros já estão nas redes sociais².

Os números atestam o que a gente já sabe na prática: estamos cada vez mais fazendo uso da internet. Compras, estudos, transações bancárias, reuniões, informação e entretenimento. Os motivos são diversos e ampliam também a forma como nos comunicamos pela rede mundial.

Comunicação nas redes sociais
Assim, com toda essa mudança de hábitos a nossa comunicação nas redes sociais e na internet de uma forma geral, tem se intensificado e, com isso, se intensificam também alguns problemas. O mais grave de todos eles é que tem tirado a vida de pessoas em todo mundo. O que aconteceu ao jovem Lucas Santos, de apenas 16 anos de idade, é um reflexo da urgência que temos de nos debruçar sobre a rede e o modo como estamos nos comunicando por ela.

É certo que há muitas questões envolvidas e, nesse artigo, me limito a tratar o assunto sob o campo da comunicação, área em que atuo e também por entender que foi justamente ela o estopim para a tragédia.

Contextualizando, Lucas compartilhou vídeos na rede Tik Tok, em tom de brincadeira, conforme ele mesmo revelou em uma postagem seguinte. Contudo, o que ele não esperava, era uma reação em massa de cunho agressivo, preconceituoso e cheio de julgamentos. Lucas não conseguiu lidar. Ele foi encontrado morto em casa, após esses episódios.

A morte do filho da cantora Walkíria Santos é o extremo, mas postagens nas redes sociais têm sido alvo de discussões, controvérsias e conflitos que têm cada vez mais impactado nossos relacionamentos e comportamentos não apenas na internet, mas também na vida aqui fora. O que nos leva a entender que é preciso repensar o modo como nos comunicamos e, principalmente, como reagimos ao que o outro compartilha nas redes sociais. Mais que etiqueta social, eu sugiro uma mudança efetiva de comportamento para uma relação saudável, cidadã e responsável nesse ambiente.

Listei algumas delas.

É preciso entender, antes de tudo, que escrever é diferente de falar. Sem o tom de voz uma frase muda o sentido. Quando falamos verbalmente, a entonação, os gestos, as nossas expressões faciais “falam” também e compõem um conjunto de elementos que formam a mensagem que queremos transmitir. Não é raro, nas redes sociais, quando publicamos algo, respondemos um comentário ou mesmo quando estamos dialogando pelo whatsapp, existirem interpretações distintas daquela que planejamos. Por isso, pense bem que palavras usar, atente à pontuação e evite uso de textos em caixa alta e uma sequência de pontos de exclamação e interrogação, sem necessidade.

Outra questão importante: aceite as discordâncias. O ambiente da rede é diverso – tal qual na vida. Portanto, compreenda que haverá formas de pensar diferente da sua. As redes sociais nos possibilitam a ter contato com um universo bem maior de pessoas, com visão de mundo e opiniões políticas, religiosas e sociais que podem divergir muito da nossa e da comunidade que estamos inseridos. Para manter uma comunicação saudável, é preciso ter compreensão sobre isso, entendendo que existem diferenças. Tolerá-las não nos obriga a pensar igual ao outro e nem é um exercício de convencimento. Tolerar é entender que essas distinções são normais e ponto.

Pense antes de publicar. Nas redes sociais o que você diz se espalha rapidamente e pode ficar registrado por tempo indeterminado. Portanto, antes tornar público, leia, veja de novo, analise se a mensagem que está sendo transmitida terá algum impacto negativo para sua imagem e se é ofensiva para outra pessoa. Avalie as consequencias. Reputações são desconstruídas constantemente e pessoas e organizações têm se envolvido em grandes crises por conta de postagens feitas por impulso, sem uma avaliação prévia do seu efeito.

Se for entrar em uma discussão, discuta ideias e não pessoas. É preciso diferenciar o debate e a crítica do assunto em questão do ataque pessoal ao interlocutor, no que diz respeito a seu caráter ou índole. Esse tem sido um dos mais comuns atritos provocados pela comunicação que percebemos nas redes. A divergência de opiniões se transforma em uma acalorada discussão pessoal. Essa confusão de entendimento só colabora para tornar as redes sociais, palco de brigas, xingamentos e até agressões verbais, o que é nocivo e, muitas vezes, até ilegal, quando se parte para a calúnia, difamação ou a prática de crimes de racismo e discriminação por orientação sexual e religiosa.

E por fim, e talvez o mais importante, pratique constantemente a gentileza na sua comunicação nas redes sociais. Evite emitir comentários sarcásticos, críticos ou debochados nos posts alheios. Assistiu a um vídeo de alguém que achou sem sentido ou não gostou do conteúdo? Não gostou do corte do cabelo novo da amiga? Discordou de uma opinião de um colega de trabalho? Se as suas palavras não forem para edificar o outro, guarde-as para você. Não as destile em vão. E se sentir muito incomodado com o conteúdo, deixe de seguir. Afinal, não somos obrigados a seguir ninguém. Agora, se os comentários negativos podem ser evitados, os positivos precisam ser disseminados! Incentive, apoie e aplauda as conquistas que testemunha. Afinal, não dizem que “gentileza, gera gentileza”? Que tal experimentar?!

Notas
¹ Pesquisa realizada pela empresa Ericsson, no ano passado, sobre o comportamento de consumidores de 11 países durante a pandemia do coronavírus, entre eles, do Brasil.
² Pesquisa Global Digital Overview, divulgada em 2020 pelo site We Are Social em parceria com a ferramenta Hootsuite.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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