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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

Elize viu Caravaggio antes de matar o japonês

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publicado em 17/07/2021 às 07h55
atualizado em 17/07/2021 às 06h48
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A minissérie Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime, dirigida por Eliza Capai (autora de “#Resistência”, de 2017, e “Espero tua (Re)volta”, de 2019, os dois sobre o movimento estudantil no Brasil), vai além do crime e sabe aproveitar bem a entrevista, a primeira e única concedida por Elize, presa desde 2012. Eu execro criminosos. Isso aqui não é retórica.

As palavras de Elize são a própria narrativa do crime, que traz não apenas sua versão, mas a sua própria história. Vale a pena assistir.

É por meio do documentário que conhecemos a menina pobre, vítima de abuso, que não via a hora de sair de Chopinzinho (PR). Um relance, um realce da vida de Elize e Marcos, antes do crime. Marcos está morto e não vamos lembrar a maneira em que ele foi tirado de cena.

Elize conta as lembranças do tempo em que era bom viver com o marido, que o traiu com outra garota de programa. Fala bem calma e só chora quando nos remete para a filha, que ela perdeu de vista com o crime.

Algo me chamou atenção, quando ela disse que gostava de ir aos museus do mundo e que tinha ficado impressionada com Caravaggio. Elize não sabe quem é Caravaggio, sequer os nomes das obras, mas disse que as imagens nunca saíram da sua cabeça. “Como pode existir alguém que tenha feito isso?”, indaga.

Como pode existir uma pessoa que mata outra? Aliás, não se mata a galinha dos ovos de ouro.

Como estudamos a obra do artista com a professora Zarinha, (no Curso de Arte) fiquei surpreso, nunca por Elize ser uma pessoa menor, mas pela vontade de aprender. Guardar as imagens de Caravaggio, chamou minha atenção.

Pensar em Caravaggio é imaginar a continuidade da vida, na certeza de que a arte nos liberta.

Quando o marido pediu que ela tirasse sua imagem do site de garotas de programa e lhe propôs casamento, Elize ainda não tinha terminado o curso de Direito.

Elize trabalhava como enfermeira. E chegou a pensar se valia a pena deixar seu oficio além do outro, para ser mulher de um homem rico, que ela depois o mataria.

Nada me interessou no documentário, a vida, a menina Elize, a avó que lhe criou, nada, mas sem o casamento que ela apagou, não teria visto os quadros de Caravaggio.

Certamente não terá a oportunidade de rever Caravaggio, e mesmo sem nada entender de arte, a gente dispensa sua vida incompleta mas, para quem viu Caravaggio, já valeu o oco do mundo.

“Você acha que alguém da sua reputação vai encontrar um príncipe encantado? Eu conheço homem. Você só vai encontrar alguém para comer você”. Nessas palavras, dessa forma, teria dito Marcos em uma das discussões com Elize.

Puxa vida! Até Caravaggio também teria matado o japonês.

Kapetadas
1 – Antes levávamos as notícias para o banheiro agora levamos o banheiro para as notícias.
2 – Cultura serve para que vivamos melhor e mais intensamente se isso não acontece é porque não é Cultura.
3 – Som na caixa: “Dancei com uma dona infeliz/Que tem um tufão nos quadris/Tem um japonês trás de mim”, Chico B.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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