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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

O tempo dos 100nada

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publicado em 26/06/2021 às 08h44
atualizado em 26/06/2021 às 10h04
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Sabe aquela pessoa que vive dizendo que não tempo para nada? Então, para um, a tempo ecoa; para tantos voa e para outros, acua.

Leia. Leia mais. Leia muito. Saia de um livro e entre noutro. Você vai ficar sempre sabendo mais que o outro.

Cada vez tenho mais tempo para ler. Não é que não tenha tempos mortos, inativos, tenho. Tem uma canção do Caetano que diz “muito momento que nasce, muito tempo que morreu”. Mas o tempo dos 100nada na cabeça é de lascar.

Às vezes prolonga-se tanto o tempo das perdas, que conto minutos, passou um, passou 2, e até horas. Esses são longos, mas tenho tempo para me solidarizar.

Apaguei todos os relógios de casa. As horas são minhas. Nunca mais ouvi badaladas da igreja. Não temos mais sinos, só cínicos sem mascaras.

Não é tempo sem nada, meu tempo é cheio de produções, de possibilidades melhores que não acontecem com qualquer um. Eu gosto muito da minha companhia. Se eu não fosse o K, gostaria de ser apresentado a ele, mas não tenho a coragem do jornalista Reinaldo Azevedo.

Não paro de fazer entrevistas com artistas nacionais, escritores, textos, além do trabalho remoto. Noite e dia, para não ouvir ninguém dizer que o tempo não espera por mim. Não espera mesmo.

Às vezes não dá, não calha, por inércia também, por querer encher esses minutos que não passam com tralha rápida, mas me distraio ouvindo Ella Fitzgerald cantando Cole Porter.

Tempo vazio não é tempo que se escolhe não ter nada pra fazer. Faça. Tenha coragem. Acorde cedo. Faça exercícios.

Quando se para o relógio porque tá na hora. Lembram do filme “Depois de horas”, a história de uma noite na vida de Paul Hackett (Griffin Dunne), um operador de computador que trabalha no centro de Manhattan e odeia seu trabalho, como também não suporta sua solitária vida particular. Esquece.

Pare o relógio, para tudo porque se quer. Cada vez tenho menos tempo para bobagens.

Talvez sinta que tenho menos por ter mais do outro.
Não se queixe. Tarado ni você, moça do tempo.

O mundo acabou em 1999

Em 1999 o mundo ia acabar, mas não deu tempo. Estava a chegar o ano 2000 e o vírus y2k, um bug que ia explodir em todos os sistemas porque lhes faltava um contador a virar um número e voltaria ao zero. Ou coisa parecida. Perdida.

Jamais vamos regredir à idade da pedra lascada. Ditadura, jamais. O tempo é outro. Quando o mundo se acabar já teremos morrido.

Uma mãozinha…

Acho que faz todo o sentido proteger um ao outro. Um prato de comida, um acalanto. Uma roupa usada.
Num mundo onde toda a gente espeta a cara (para não falar no bumbum), as paisagens, os hábitos, a pressa, os percursos, ficaram na memória.

Aja preocupação 100 necessidade, usando o seu livre arbítrio (e discernimento ou falta dele) quando decide mostrar sua dor nesse tempo perdido. Ou nenhuma dor. Tudo é rio.
Ninguém aguenta mais morrer.

Kapetadas
1 – Se conselho fosse bom não seria conselho seria sexo.
2 – A pessoa que leva uma vida inútil como faz para contar os dias úteis?
3 – Som na caixa: “Esmagou-me a flor/Eu e meus buquês/Eu e meus porquês”, Adriana Calcanhotto

*Ilustração – Derretendo o Relógio de Salvador Dali – 1954

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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