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A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é doutoranda em Psicologia Social – UFPB, Mestre em Desenvolvimento Humano – UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância pela UFF. @profaerikamarques

É inovando que se aprende…

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publicado em 17/06/2021 às 07h23
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Inovação e gratidão podiam fazer uma competição entre si para saberem qual a palavra mais dita e popularizada nos dias de hoje, principalmente nas redes sociais. Não precisamos desenhar que isso traz inúmeros equívocos e conceitos tortos de ambas. Inclusive a palavra inovação foi um dos termos mais buscados no Google no ano de 2019. E com a pandemia será que seria atrevimento dizer que inovação foi a mais aplicada?

Um ponto importante quando falamos de inovar é dizer que se parte do ponto da ação da inovação o conceito de ser inovador ou não, desse modo podemos comparar o que se tinha e o que foi feito para mudar o contexto ou apresentar alguma solução. Se formos entender inovação como algo nunca antes visto, teríamos que estar atentos a todas as descobertas mundiais para utilizar tal termo e não podemos confundir inovação com invenção.

A inovação não necessariamente se refere a uma invenção de algo completamente novo, pois a adaptação com novas ideias, a reorganização, a reformatação ou até mesmo criações novas de algo que já existe, podem ser definidos como processos inovadores.

Particularmente vejo a inovação como um processo diferente de se fazer algo, ou uma nova ideia, mas que necessariamente atinja seu objetivo e tenha sucesso, que seja aplicável, replicável e tenha algum impacto positivo. Pois vivemos em uma era de muitas ideias, porém nem todas se sustentam ou chegam a compor algum ganho ou aplicabilidade. Podemos dizer então que nem toda grande ideia é uma inovação.

Com a pandemia a inovação de resgate ou sobrevivência foi bem representada pelas pessoas que perderam seus empregos e com ações simples e não tanto chamativas, inovaram com ideias de sustentabilidade das suas próprias vidas. Ou inova e aprende, ou não sobrevive, antigo, costumeiro e simples assim, surgiram grandes inovações. Na realidade essas inovações estão presentes na vida do ser humano desde os primórdios da humanidade, com a adaptação e melhoramento de ferramentas, armas e utensílios que ajudaram a facilitar a vida doméstica, de trabalho ou para sua proteção.

Segundo Charles Handy, especialista em gestão e comportamento organizacional, “o mundo se mantém mudando. Um dos paradoxos do sucesso é que as coisas e caminhos que te levaram até onde você está raramente são aquelas que irão te manter no topo”. Trazendo para a nossa realidade atual, podemos entender que inclusive o que te mantinha estável, hoje não mantém mais e isso serve para todas as áreas da vida. Em um processo de constante mudanças, inovar é condição necessária para se manter.

A informação atual nos vem quase na velocidade da luz, as pessoas consomem conteúdos a todo instante e vivem em alta voltagem, e tudo é programado para ontem. Com o advento da pandemia, o que já era rápido, voou em uma revolução tecnológica e de informações, transformando de modo significativo todo esse processo de vivência e aprendizagem. Impactando os processos de informatização, sociais, emocionais e obviamente e consequente, os processos educacionais.

A educação, que passava por um desenvolvimento de foco no aluno, na sua aprendizagem como um processo complexo e em metodologias inovadoras e ativas, de repente teve que ser adaptada não a novas ideias, mas a novas tecnologias, com formatações não antes conhecidas, como o ensino remoto, que trouxe ferramentas que buscaram quebrar o distanciamento e o isolamento em um primeiro momento.

Inúmeros desafios na educação tiveram que ser transpostos para que a educação não fosse tão prejudicada, mas vale ressaltar que momentos de crise provocam inovação e assim na pandemia foram quebradas barreiras geográficas, novos comportamentos surgiram e mais uma vez o ser humano com a sua potencialidade marcante de adaptabilidade, seguiu em frente promovendo e experienciando as novas soluções.

Inovar era uma conduta antes diferenciada, e hoje, extremamente necessária, seja para manter-se em um determinado posto ou situação, ou para crescer e alçar voos mais atrevidos. Porém é certo e concreto, que o mundo gira rápido, as necessidades mudam, o mercado nem se fala, o que era excelente hoje, será bom amanhã e talvez não aplicado no futuro. Vivemos um eterno aprende, desaprende e refaz.

Temos que estar atentos e fortes, abertos às mudanças e ao processo de inovação e crescimento sempre, afinal, como canta Zeca Pagodinho: camarão que dorme a onda leva, hoje é o dia da caça e amanhã poderá ser do caçador…

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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