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A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é doutoranda em Psicologia Social – UFPB, Mestre em Desenvolvimento Humano – UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância pela UFF. @profaerikamarques

A arte e o poder do cuidar

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publicado em 12/05/2021 às 07h23
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Cuidar daqueles que amamos é uma ação natural, protegê-los e nos doarmos a eles não só quando precisam. Mas aqui falaremos do cuidado e da doação de amor aos desconhecidos. Amor e cuidado que transcendem a profissão estudada, aquele que faz sentir cada recuperação e cada perda como se dele fosse. Hoje, falaremos sobre ser enfermeiro(a), QUE para mim, nunca foi apenas uma profissão, nitidamente, é vocação, algo que se sente e não apenas que se aprende.
E foi exatamente assim que a enfermagem moderna despontou, com a inglesa Florence Nightingale, filha de uma tradicional e rica família, rebelou-se desde cedo contra o comportamento e o lugar na sociedade destinados às mulheres de sua posição social. Nascida exatamente no dia de hoje, 12 de Maio, que se tornou no dia da enfermagem em sua homenagem. Ela passou a visitar moradores de aldeias vizinhas que estavam doentes e em precárias condições, o que lhe despertou a insatisfação com o tratamento dessas pessoas.
Aos 14 anos, concluiu que cuidar dos enfermos era sua vocação, e seguiu A missão. Suas orientações estão mais vivas do que nunca, pois, o hábito de lavar as mãos, manter janelas abertas e outras orientações dadas em meio a pandemia, já eram alertados pela visionária.
Segundo Florence, a enfermagem é uma arte como se refere na famosa citação: “A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto à obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se dizer, a mais bela das artes!”
Além do aspecto “arte”, sempre em nosso imaginário, percorre a imagem de pessoas mais fortes cuidando das mais necessitadas ou mais fracas, mas na pandemia o que vimos, foram profissionais fragilizados e mesmo com suas vidas em risco, estão dispostos a cuidar. Quase que em um exercício no modelo maternal, é deixar a sua dor de lado para curar a do outro, deixar seu medo para confortar o medo do outro e sofrer pela perda do outro.
Na pandemia, bombardeados por excessivas cargas mental, psíquica e física, esses profissionais tiveram que muitas vezes se afastar da própria família, para cuidar de outras. Nesse contexto, o cuidar está acompanhado, mais do que nunca, de forte carga emocional em que a vida e a morte se misturam todo A momento na vivência de uma realidade desgastante, caracterizada por ritmos excessivos, com jornadas laborais prolongadas e sobrecarga de trabalho e, obviamente o risco eminente da contaminação.
Mas os efeitos desses profissionais na vida dos que precisam naquele momento, são surpreendentes, como é impressionante o poder do cuidar, em cada gesto um movimento de amor e esperança. Ligações para a família, desenhos dos filhos, afetos e várias estratégias para a recuperação dos seus pacientes, entre outros exemplos podemos destacar uma enfermeira que encheu uma luva com água morna e colocou sobre a mão de um paciente, fazendo com que ele sentisse que estavam segurando a sua mão. Essa ação viralizou e mais uma estratégia do cuidar foi descoberta, dentre outras, o prontuário pessoal, onde passaram a colocar os gostos, músicas, perfil e peculiaridades de cada um, para que a sua identidade e vida fossem preservadas.
É muito difícil falar sobre a dedicação desses profissionais tão importantes e quanta diferença fazem, com ações em prol do outro. Nessa frase da própria Florence vemos a importância da ação: Acho que os sentimentos se perdem nas palavras. Todos deveriam ser transformados em ações, em ações que tragam resultados.
Desejamos mais amor e mais cuidado ao outro, assim faremos um mundo melhor. Homenageio com esse texto todas as Marias, Patrícias, Anas, Socorros, Zirleides, Hildas, em particular às enfermeiras, que deixam as suas famílias, para exercerem o cuidado ao outro, aos amores de outras famílias e se dedicam com muita força (acho que muitos nem sabiam que tinham tanta) a esse legado tão belo que é o exercer a enfermagem, exercer a arte de cuidar.
A vocês, nossa eterna e grata admiração…

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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