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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

Eu gosto de Cajazeiras e adoro Jatobá

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publicado em 28/11/2020 às 08h36
atualizado em 29/11/2020 às 07h37
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Nelson Rodrigues era literalmente um craque. Achava que humilhar o adversário não era coisa de goleada. Nelson festejava abundantemente um final 1×0, como ele escrevia. Poupava o adversário mas provocava-lhe uma pancada infinita. Cícero ou Nilvan? Ora, quem joga a toalha já desistiu de se secar.

Nunca vi uma campanha tão punk no Baixaqui. Se as redes sociais fossem presenciais, os perdigotos tomavam conta das garrafas. Já Maradona teve vida intensa e mínima. Adiós Mara!

2001. Quando fui votar em dona Creusa Pires para vereadora (certo que ela um dia seria prefeita da capital), chamei um táxi e me apaixonei pela motorista. Na calçada da praia, D. Creusa acenava cercada da Patotinha do Eraldo e das garotas da Melhor Idade. Gritei seu nome, com uma carta na manga. Ela jogou um tufo de santinhos, que foi bater nos seios da motorista. Pow!

Como não vi a face da taxista, lembrei que D. Creusa havia me dito que política e paixão não se misturam e devem ser das coisas neste mundo que só acabam depois de já terem acabado. Delírio total. Política é arte de procrastinar, paixão é uma loucura atrás da outra.

Quando abri a porta do Monza, perguntei a taxista se podia me esperar e ela disse: “da”, que por essas bandas quer dizer “sim”. Na volta perdi a chofer de vista.

Década de 70. Quando as escadas rolantes do Gran Pires foram inauguradas (eu que já tinha andado distraído numa delas em Recife), vi um rapaz vestido de Marcos Pires, que amava os Beatles e as Pedras Rolantes, usando uma camiseta com a frase: “Raiva não é pra ter, raiva é pra fazer”. A minha camiseta era bem simples – “Perguntei sua opinião?”

Dona Creusa parecia o personagem Sininho da Disney pra lá e pra cá no novelo do povo que tinha ido espiar as escadas. Tinha gente que subia e descia várias vezes pensando que era uma roda gigante. Gritos e sussurros. Era a felicidade, a grande ilusão. De longe vi muitas Nereidas, da mitologia. Eram lindas. Acho que nessa época, Mãe Leka era um bebê.

Uma moça de mini saia preta (sem pernas), pediu-me para ajudar com a cadeira de rodas. Na verdade, eu achei que tinha visto o Padre Zé Coutinho, conversando com dona Creusa. Depois vi que era Zé Limeira? Que absurdo!

Amanhã de amanhã eu não quero nenhum compromisso. Vou pegar minha coleção de postais de mulher nua e sair distribuindo na beira mar, meus santinhos milagrosos, até chegar à Casa de Zé Américo, onde voto na seção 252.

Se Nilvan vencer, a cidade terá um prefeito de Cajazeiras, se for Cicero (pela terceira vez), João Pessoa terá um prefeito de Jatobá. PoisZé, eu gosto de Cajazeiras, mas adoro Jatobá.

Kapetadas
1 – Pandemia já acabou? Quando que o governo vai liberar o auxílio Otoplastia?
2 – Ei, verbo, disfarça, que tem um sujeito atrás de você.
3 – Ilustração – Igreja Matriz de Jatobá (de Marconi Cruz)
4 – Som na caixa: “Padre Cicero, padre Cicero, daí então tudo mudou…”, Tim Maia

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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