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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

O que aprendi com essa pandemia

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publicado em 29/08/2020 às 07h00
atualizado em 28/08/2020 às 16h44
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Coronavirus in China. Novel coronavirus (2019-nCoV), people in white medical face mask. Concept of coronavirus quarantine vector illustration. Seamless pattern.

Perdi 12 amigos desde março, quase todos vítimas do Covid. Alguns deles esconderam-se em casa ou em fazendas, mas o vírus os descobriu lá. Portanto, a minha primeira lição foi a de que o “fique em casa” não é tão absoluto assim.
Absolutos são o uso das máscaras e o distanciamento. Como também muito, mas muito importante, é cuidar da nossa imunidade porque também aprendi que nenhuma futura vacina vai matar esse vírus. Ao contrário, teremos que conviver com ele por muito tempo. Então reforçar nosso organismo é fundamental. Tripliquei minhas caminhadas (hoje faço pelo menos 20 km todo dia), nado diariamente no mar e jamais deixei de fazer pilates e musculação, com meus excelentes professores Juliana Elias e Evaldo Leite tendo a paciência de me orientarem pela internet.

Outras coisas que a pandemia me ensinou fui descobrindo todo dia. Os problemas do mundo não são meus, dos meus eu cuido. Não discuto mais preços pequenos. Deixar o comerciante ganhar um pouco mais não vai me fazer mais pobre. Quem sabe com essa graninha extra ele melhora a situação de sua família?

Passei a olhar nos olhos e cumprimentar todo dia os garis, os humildes e a valorizar pra caramba o trabalho da faxineira que tive a graça de contratar, porque os empregados do flat onde moro ficaram em casa. Se eu já conversava muito, passei a conversar mais ainda. Pouco importa com quem converso; um sorriso já me satisfaz plenamente.

Não discuto mais. Se a sua opinião é diferente da minha, por favor, pode ficar com ela. E se a minha opinião lhe desagrada, por que eu vou discutir? Fique para lá, tem tanta gente no mundo querendo o mesmo que eu…. Minha vaidade com roupas que já era nível mínimo desceu a zero. Roupas velhas, porem limpas (que eu aprendi a lavar à mão e depois colocar para secar na janela, porque no meu flat não cabe máquina de lavar nem tenho varanda) todo dia. Um prazer recém-descoberto; enquanto lavo as roupas no balde a cabeça viaja ao infinito. Dia desses me peguei imitando Luiz Melodia: “Lava roupa todo dia…”.

Passei a me emocionar mais facilmente e todos os dias procuro a foto de alguns dos amigos que se foram para publicar nas minhas páginas da internet. É uma maneira de mostrar a todo mundo que eles existiram e foram bacanas. Talvez você nem tenha notado, mas nesses tempos terríveis adquirimos uma tendência a esquecer mais facilmente dos nossos mortos, mesmo os mais recentes.

Na verdade, o que de mais importante aprendi é que tenho de acordar para ser feliz todos os dias. Afinal, vai que um dia eu não acorde, né?

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