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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

Porque deixei de votar

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publicado em 15/08/2020 às 07h03
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Há muito tempo não voto. Vou ao município vizinho, faço a justificativa e continuo em dia com a Justiça Eleitoral. Não tenho mais idade para ilusões.

Dizem que não votar ou votar nulo contribui para eleger péssimos candidatos. Isso não me comove. Sempre serão eleitos candidatos e todos eles em algum momento irão decepcionar seus eleitores. Nosso arcabouço político favorece os conchavos (os ilusionistas da opinião pública chamam de acordos) para aprovar qualquer matéria.

Assim, o teu representante terá que apoiar um projeto de outro parlamentar que contraria visceralmente as tuas convicções para que, em compensação, esse outro parlamentar apoie o projeto do teu representante. Nesse troca-troca vez por outra começa a correr grana e então a promiscuidade transforma-se em corrupção.

Prefiro ficar ao largo dessa safadeza. Volto a repetir; óbvio que alguém será eleito e bastaria a satisfação de não ter compactuado com o mandato dele quando descobrirem seus podres para meu deleite. Porém aposto em algo mais. Observem que a cada eleição aumenta o número de eleitores que votam em branco, votam nulo ou nem votam. Já passamos dos 30%. Então não estou “errando” sozinho.

Em seguida é muito importante fixar que proximamente seremos mais de 50% os que não escolherão ninguém. Portanto, qualquer que seja o eleito ele não representará a maioria da população. Claro que isso não irá anular a eleição, mas com certeza retirará do político a legitimidade que é necessária a um representante do povo para falar em nome desse povo.

Enxergo muito mais à frente. Tenho consciência que a democracia é o melhor de todos os regimes. Só não concordo com essa tal representação. Por que é que o povo tem que ser representado? Eu não preciso de alguém que fale por mim. Sei tomar minhas decisões e sou responsável por suas consequências. Portanto, quando nós, o pessoal do NÃO VOTO, chegarmos aos tais 50% do eleitorado, voltaremos a conversar sobre o futuro da democracia participativa.

Afinal, se saímos da idade da pedra, conquistamos o espaço, criamos a internet e tantas outras maravilhas, não deve ser tão difícil aperfeiçoar a democracia, pois não?

Um último ponto; dá para explicar por que dizem que o voto é um DIREITO se ele é obrigatório? Não, não é direito, é um DEVER. Seria direito se fosse facultado votar. Mas nem essa simples mudança na lei os salafrários tem coragem de fazer, com medo do povo.

UTILIDADE PUBLICA – Se você encontrar pessoas tentando ridicularizar este debate, descubra os intere$$e$ deles.

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